Chama-se Elisabete Figueiredo, mas toda a gente a conhece como “Beta” e, ao longo dos últimos tempos, ganhou notoriedade nas redes sociais como a “Beta do Krespos”, um cabeleireiro localizado em Buarcos, na Figueira da Foz.
As páginas do Krespos Cabeleireiro nas redes sociais contam já com milhares de seguidores e os vídeos de Beta a mostrar o resultado dos seus trabalhos tornaram-se virais, com vários utilizadores, sobretudo do TikTok, a recriá-los.
Beta tem 48 anos e mais de dois terços da sua vida foram dedicados à sua profissão. “Sempre foi isto que eu quis fazer. Sempre. Trabalho nisto há muitos anos. Desde muito novinha que me desperta este mundo dos cabelos. Estou na área há muitos anos, desde os 14 anos”, conta ao Notícias ao Minuto.
Apesar da vasta experiência, quer continuar a “adquirir conhecimento, independentemente da idade” que, para si, é apenas um número. “Não me interessa nada. Para mim, não tenho 48 anos. Para mim, tenho 20 anos e vou ser sempre assim. Vou morrer assim”, afirmou.
Se não fosse cabeleireira, Beta confessou-nos que “não sabe” o que faria, mas “se calhar algo ligado ao desporto”, talvez professora de Educação Física ou nadadora profissional. “Costumo dizer que no meu nicho sou uma atleta de alta competição. Porque gosto de fazer as coisas hiper, mega bem. É assim que evoluímos”, disse.
Da Figueira da Foz para as redes sociais: A ascensão da “Beta do Krespos”
Com os vídeos, que reúnem milhares de visualizações e gostos nas redes sociais, Beta não quer só mostrar o seu trabalho, mas também inspirar quem a vê e “transformar as pessoas”, deixando-as com um “sorriso na cara”.
“Fui crescendo e vi que realmente tenho jeito para transformar as pessoas, para lhes colocar um sorriso na cara. Porque nós mulheres somos vaidosas, não é? E quem é que não gosta de ter um dia perfeito num salão de cabeleireiro e não ir a um salão de cabeleireiro comum onde se está a criticar a vizinha, etc. etc.”, atirou.
Há vários tipos de clientes no Krespos: Algumas mais “receosas” ou “envergonhadas” e outras que fazem milhares de quilómetros, “vindas de outros países”, só para serem atendidas por Beta.
No entanto, nem todas as clientes gostam de ser filmadas e de terem a sua experiência partilhada nas redes sociais, mas a cabeleireira faz questão de “respeitar sempre quem quer e quem não quer”.
Já as clientes que pretendam fazer parte do ‘feed’ das páginas do Krespos nas redes sociais – que são cada vez mais devido à “dimensão e à audiência muito grande” do salão – têm de assinar um documento para autorizar a gravação dos vídeos, algo que Beta considera “muito importante”.
“As redes sociais impulsionaram bastante o trabalho que nós fazemos”, afirmou. “Para mim é engraçado, é giro. Às vezes fico a pensar ‘Meu Deus, é pá. Estou aqui no meu mundo, na minha profissão, aqui no meu casulo. Só faço o meu trabalho'”, disse.
Atualmente, o Krespos já conta com uma pessoa responsável pelo marketing digital do salão. Antes, eram os proprietários que tratavam de tudo e tornava-se “muito, muito, muito difícil” conciliar as marcações com as redes sociais, porque “há todo um backstage por trás de cada vídeo”, mas, como nos diz Beta, “ser um atleta de alta competição não é fácil”.
Apesar de já se “dar ao luxo” de ter “ajuda” no que toca às redes sociais, a cabeleireira diz que ainda passa “horas sem comer e horas sem dormir”. “Se tenho necessidade disso? Se calhar, financeiramente, já nem tinha necessidade, mas eu gosto disto. Amo isto, amo as pessoas, amo fazer as pessoas felizes. Amo entregar sorrisos”, garantiu.
A vontade de fazer sorrir e de proporcionar um “dia perfeito” às suas clientes, levou Beta além das fronteiras da Figueira da Foz. “Isto é engraçado porque tem uma dimensão grande, até em Lisboa, onde toda a gente nos conhece”, explicou.
“De besta a bestial”. Beta responde às críticas com ‘fair play’
Os vídeos foram tema em dois episódios do podcast “Extremamente Desagradável” – intitulados “Por Dentro do Krespo’s” e “A Beta é única” – onde Joana Marques comentou os trabalhos e até a vida da cabelereira, mas Beta não se deixou ficar sem resposta.
“É engraçado este tipo de dinâmica que fazem até com o Krespos. Mas nós temos de ter ‘fair play’. Temos de ser assim. Não critiques, adapta-te. Mas é tão giro”, começou por comentar ao Notícias ao Minuto.
Após ser visada em dois episódios, Beta decidiu ir pessoalmente aos estúdios da Rádio Renascença, em Lisboa, e levou bolos para adoçar a vida à humorista.
“Eu ia à televisão nesse dia e disse: ‘Vamos à Rádio Renascença, vamos dar uma caixa de bolos à Joana Marques'”, acrescentou.
E assim foi. Beta e o marido, Dany, entraram de surpresa pelos estúdios a meio da emissão de “As Três da Manhã”, apresentado por Joana Marques, Ana Galvão e Inês Marques Gonçalves.
“Foi espetacular. Às vezes temos de dar a volta à situação das coisas menos boas que nos vão acontecendo. Mas, atenção, faz parte do processo e temos de ser inteligentes mental e emocionalmente”, referiu. E exemplificou: “Ainda hoje o Cristiano Ronaldo, não agrada a todos. Ainda hoje Deus, não agrada a todos”.
“Se tu fores inteligente emocionalmente na tua vida privada, na tua vida pessoal e na tua profissão, estás bem. Eu aprendi a ser assim. E, com a Rádio Renascença, passei de besta a bestial. É assim que temos de ser”, acrescentou.
Redes sociais trouxeram oportunidades, mas não só: “Não podes falhar”
As redes sociais trouxeram-lhe novas oportunidades, parcerias e contactos. O salão, com vista para a praia de Buarcos, continua a crescer e as entrevistas à agora famosa Beta não param, desde os jornais locais à televisão nacional. “Muito importante: isto é tudo pessoas que vêm até nós. Eu não fiz nada”, frisou.
Apesar do sucesso, o mundo online do Krespos “tem muito pouco tempo”, uns “três ou quatro anos, sensivelmente”. Mas foi tempo suficiente para Beta perceber que faz parte do seu “propósito de vida”.
“Por que não transmitir aos outros positividade? Por que não transmitir o melhor de nós? É isso que nós levamos quando partirmos”, realçou, confidenciando que “não estava à espera que os vídeos viessem a ter este alcance”.
“É tão giro. Irmos crescendo e saber que as pessoas estão do outro lado e também gostam do nosso trabalho. Estou a amar, estou a gostar”, disse ao Notícias ao Minuto.
Este reconhecimento trouxe-lhe não só novas oportunidades, mas também mais reponsabilidade porque “à medida que se vai crescendo, há outro tipo de cuidado”.
“Tens de ter mais cuidado, até como comunicas com os outros. Não podes falhar. Se já não falhavas, agora não podes falhar mesmo. Às vezes há falhas pequenas como ficar um ‘pelito’, mas agora não pode mesmo escapar um ‘pelito”‘, exemplificou.
“Se somos e se queremos ser bons, temos de entregar o inigualável, como eu costumo dizer tanto. Isso traz muita responsabilidade”, acrescentou.
Beta acredita que parte do êxito do Krespos deve-se à sua “maneira de ser”, totalmente “sem filtros”, e rejeita qualquer “fingimento” nas redes sociais.
“As pessoas que me conhecem dizem: ‘Olha, mas ela é mesmo assim. A Beta é assim, não é fingida'”, contou. “Podem pensar que é fingimento. Não acreditem, não é. A Beta é assim, transparente, não tem qualquer problema”.
Mas também é preciso ter uma equipa que “tente vibrar na mesma linha” porque “senão não faz sentido”. “Se tens uma equipa que não faz aquilo que tu queres, que não entra no mesmo jogo do que tu, não faz sentido ter essa equipa ou os membros da equipa contigo, obviamente”, disse.
Atualmente, o Krespos conta com uma equipa de seis elementos, mas já foram mais e chegaram a ter dois estabelecimentos em simultâneo – o primeiro em Quiaios, uma localidade a poucos quilómetros do centro da Figueira da Foz.
“Quiaios terminou, finito. Há uns dois anos. Terminou e teve o seu momento, quando fez sentido. Temos de crescer, mas às vezes não temos de crescer em número de pessoas, mas sim crescer em mentalidade”, sublinhou. “Foi isso que nos fez sair de um sítio mais pequeno e vir para um sítio maior”.
Krespos foi afetado pela passagem da depressão Kristin
Na madrugada de 28 de janeiro, a zona da Figueira da Foz foi uma das afetadas pela passagem da depressão Kristin, que levou à queda de uma roda gigante no Parque das Gaivotas, junto à Avenida de Espanha.
A menos de quatro quilómetros de distância, as instalações do Krespos, junto ao mar, perdeu os vidros das montras devido à força do vento, que “entrou pela frente e saiu pela porta de trás”.
“O espaço é uma coisa espetacular. É lindo, mas depois o bonito que tens no verão, também tens o mal no inverno, porque és a primeira a apanhar com tudo”, desabafou Beta.
Às primeiras horas da manhã daquela quarta-feira, a equipa juntou-se para colocar contraplacado nas zonas que outrora foram montras envidraçadas.
“Foi uma coisa assim fora do normal. Mas nós, aqui na Figueira da Foz, nem fomos os mais afetados. Leiria, o Baixo Mondego, Montemor-o-Velho, todas aquelas zonas de Coimbra… Estão muito mal”, assinalou.
“Os nossos governantes sabem o que têm de fazer. Já não nos toca a nós. Fazemos aquilo que podemos e fizemos a nossa parte”, concretizou.
E o futuro? Beta promete continuar a inspirar e anuncia novidades
Às gerações futuras, a cabeleireira aconselha a “estudar, estudar e estudar” e “treinar, treinar e treinar”, sendo algo que, apesar de já estar na área há mais de 20 anos, continua a fazer.
“Não percam o vosso tempo com «nhanhanhãs», com pesquisas, com comentários negativos que não vos acrescentem. Vocês são fortes”, afirmou.
Para o futuro, Beta promete continuar fiel a si própria e já planeia uma nova edição do “A Beta Vai a Casa”, uma iniciativa que tem como objetivo “transformar” quem mais precisa.
“Foi algo que eu e o Dani, que tem um ‘mindset’ muito à frente e me ajuda a estruturar tudo o que tenho feito, planeámos. O ‘A Beta Vai a Casa’ é algo a que as pessoas se podem candidatar, mandam-nos um e-mail e os motivos para o Krespos ir a casa delas. É tudo patrocinado por nós. Tem zero custos. Zero”, explicou. “Não é preciso fazer nada. Estes doidos – eu e o Dani – vamos de armas e bagagens, com um ou dois membros da equipa, para qualquer ponto do país”.
A iniciativa já passou por Ílhavo, no concelho de Aveiro, Lisboa e Montemor-o-Velho e será, segundo Beta, novamente um “êxito”. Depois, seguem-se “muitas formações fora e dentro” e até uma “viagem ao estrangeiro” marcada para março.
“Quero ser alguém que tente passar algo bom aos outros. Uma fortaleza. Alguém que uma pessoa diga: ‘Poxa, estive a falar com a Beta, senti-me encorajada para fazer isto ou aquilo’. É isso que nós temos de bom para os outros. Estou a sentir-me inspirada”, disse-nos, “Vou morrer assim, quero morrer assim”.
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