Foi apresentado, na tarde desta quarta-feira, dia 4 de março, o retrato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa – com o Presidente da República a escolher o artista Vhils, conhecido pelos rostos esculpidos em paredes, para o fazer. Mas recorda-se das obras que retrataram os outros chefes de Estado do pós-25 de Abril?
As obras que ‘marcaram’ os mandatos dos Presidentes – de Manuel de Arriaga, pintado por Columbano Bordalo Pinheiro, a Marcelo Rebelo de Sousa, retratado por Vhils – estão expostas na Galerias dos Retratos, no Museu da Presidência da República, em Lisboa. Em alternativa, estas estão também disponíveis online, no site do próprio museu – pode aceder através deste link.
Depois do 25 de Abril, António Ramalho Eanes foi o primeiro Presidente da República eleito na Democracia – tendo cumprido dois mandatos. O retrato, da autoria do pintor Luís Pinto Coelho, “foi realizado em 1991” e “custou 3 milhões e 500 mil escudos”, de acordo com o Museu da Presidência.
“O grande realismo do retrato, o traço hiper-realista em que Pinto Coelho era exímio, sugere estarmos perante uma fotografia”, é ainda explicado.
Retrato oficial de António Ramalho Eanes© Reprodução / Museu da Presidência da República
A Ramalho Eanes seguiu-se Mário Soares, com o retrato oficial a ser encomendado ao pintor Júlio Pomar, em 1992 – eram “amigos desde a juventude”.
A obra, descreve o Museu da Presidência, “rompe com a figuração cerimoniosa e tradicional. Nas palavras do artista, ficou a imagem de ‘um ótimo conversador'”.
Retrato oficial de Mário Soares© Reprodução / Museu da Presidência da República
O terceiro Presidente eleito foi Jorge Sampaio – e a escolha para autora do retrato oficial “recaiu sobre Paula Rego”. A pintora “realizou três retratos” e Sampaio “escolheu o que mais lhe agradou para constar da Galeria”.
“No retrato oficial, o Presidente surge sentado numa cadeira Luís XVI, semelhante a um conjunto de cadeiras existentes no Palácio de Belém, secundado por um busto da República”, destaca o Museu.
Retrato oficial de Jorge Sampaio© Reprodução / Museu da Presidência da República
Em março de 2006 tomou posse Aníbal Cavaco Silva. O Museu da Presidência recorda que “a encomenda do retrato foi dirigida a dois pintores, em total segredo. No primeiro mandato, a Carlos Barahona Possolo, já no segundo mandato, a António Macedo”.
“Concluídas as duas obras”, foram “submetidas à votação de algumas dezenas de familiares e amigos do Presidente, desconhecendo, os votantes, os nomes dos artistas. A maioria escolheu a obra de Carlos Barahona Possolo, datada de 2009”.
Retrato oficial de Aníbal Cavaco Silva© Reprodução / Museu da Presidência da República
E chega-se à atualidade, com o retrato de Marcelo Rebelo de Sousa, cujo mandato termina na próxima segunda-feira, dia 9 de março. Para realizar o seu retrato oficial, Marcelo convidou Alexandre Farto, conhecido como Vhils.
E, com esta escolha, vinca o Museu da Presidência, “introduziu uma inovação na Galeria dos Retratos: pela primeira vez, o suporte e a técnica não se baseiam na pintura sobre tela, mas um processo artístico que envolve a colagem, o baixo-relevo e a criação de texturas e profundidade, na aproximação à linguagem escultórica”.
Retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa© Reprodução / Museu da Presidência da República

