A associação recomenda que os consumidores verifiquem cuidadosamente as próximas faturas e apresentem reclamações se necessário, uma vez que podem existir falhas de comunicação entre empresas.
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A DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) admite que as faturas de eletricidade dos clientes que ficaram sem luz nas zonas afetadas podem apresentar erros. A associação apela a todos os consumidores para que fiquem atentos às próximas faturas e, caso necessário, apresentem reclamações.
Em localidades como Andreus, no concelho de Leiria, a espera já vai longa.
“Estamos há 24 dias sem luz, sem serviço de televisão e de internet, com crianças pequenas em casa, é muito difícil”, desabafou uma moradora.
O desespero de estarem há três semanas sem luz faz com que a paciência comece a desaparecer.
“Para quem está a viver isto tudo, não é fácil de aceitar. Percebemos que quem está na rua a trabalhar está a dar o seu melhor, não ponho isso em causa, mas uma empresa como a E-Redes, com tantos milhões de euros de lucros todos os anos, se não tem mão de obra para trabalhar, tem de contratar. É para isso que os clientes pagam”, disse ainda.
“Não posso manter a minha vida normal só com um gerador e, além disso, os custos com a gasolina são elevados”, afirmou outra moradora.
Embora a luz já tenha sido restabelecida em algumas casas da localidade, ainda há pelo menos 17 a aguardar a reposição de energia.
Ainda há mais de 4.500 clientes sem eletricidade
A E-Redes estima que, nas zonas afetadas, ainda existam mais de 4.500 clientes sem eletricidade, 24 dias depois da falha.
Face a esta situação, a DECO pede aos consumidores que verifiquem com atenção as faturas de eletricidade quando estas chegarem, seja por carta ou por e-mail.
“Não é pagar e esquecer ou nem sequer olhar e pagar. É importante estar atento porque erros acontecem e nem todos os comercializadores terão a mesma atenção a estes casos”, afirmou Pedro Silva, da DECO Proteste.
Mesmo que o pagamento tenha sido feito por débito direto, caso detete falhas na fatura, o consumidor deve comunicá-las imediatamente à empresa ou à entidade reguladora.
“A sua reclamação pode ter, de facto, um efeito suspensivo”, alertou Pedro Silva.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) lançou, no início de fevereiro, um conjunto de medidas que os comercializadores devem cumprir. A DECO alerta, no entanto, que pode haver falhas de comunicação entre as empresas ou que ainda não tenha sido possível implementar todas as medidas.
Os clientes também devem estar atentos à data em que a luz foi restabelecida e, mais importante, quando a situação se estabilizou.
“Mais do que quando a eletricidade voltou, importa estar atento a quando ficou estável, porque a ERSE determina que, tendo havido interrupções devido à instabilidade da rede, se houver uma interrupção num determinado dia na sequência das anteriores, ainda que mais curta, conta como um dia com interrupção, o que afeta a tarifa de acesso a ser descontada naquele dia.”
A ERSE diz que, durante os períodos de falha, as empresas de eletricidade não podem fazer estimativas de consumo, nem cortar o fornecimento aos clientes, mesmo por falta de pagamento. Além disso, não podem cobrar pela potência contratada durante esses períodos.
A entidade está ainda a preparar um novo pacote de medidas para garantir o cumprimento das normas pelas empresas de eletricidade.
