A defesa de Jair Bolsonaro questionou a prisão domiciliaria temporária dada ao ex-Presidente brasileiro e frisou que “as condições e necessidades especiais” do ex-chefe de Estado são “por toda vida”.

Adriano Machado
“A modalidade ‘temporária’ da prisão domiciliar é singularmente inovadora, não se podendo perder de vista que, lamentavelmente, as condições e necessidades especiais que o Presidente demanda, são permanentes”, indicou a equipa de defesa do ex-chefe de Estado, condenado a mais de 27 anos de prisão por atentar contra o Estado democrático de direito.
Por essa razão, o “nível de cuidados, portanto, serão necessários por toda vida”, justificou, acrescentando que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi “deferida só e somente após a sequência de cinco pedidos”.
Também o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, e pré-candidato às eleições presidenciais de outubro, criticou a decisão do juiz Alexandre de Moraes:
“Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando?”, questionou.
O Supremo Tribunal Federal do Brasil autorizou, na terça-feira, a prisão domiciliária por 90 dias para o ex-Presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão.
Bolsonaro deixou os cuidados intensivos na segunda-feira
O ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro deixou na segunda-feira à noite a unidade de cuidados intensivos e foi transferido para um quarto no hospital, em Brasília, onde permanece internado desde 13 de março após sofrer uma pneumonia resultante de uma broncoaspiração enquanto dormia na sua cela na penitenciária militar da Papuda.
O prazo dos 90 dias começa a contar após a alta médica, para a qual ainda não existe previsão.
Na decisão, o juiz impôs o uso obrigatório de pulseira eletrónica e a proibição do uso de telemóvel.Bolsonaro cumpre pena de prisão desde o final de novembro de 2025, primeiro num quarto especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, desde janeiro, num complexo prisional da capital brasileira, onde passou a dispor de mais espaço.
Durante o encarceramento, no entanto, apresentou um agravamento do seu estado de saúde, que o obrigou a ser hospitalizado várias vezes.
Jair Bolsonaro deixou na segunda-feira a unidade de cuidados intensivos e, segundo o boletim médico de hoje, continua “com antibióticos por via endovenosa, apoio clínico e fisioterapia respiratória e motora”.
Alexandre de Moraes, que até agora tinha recusado todos os pedidos, reuniu-se na semana passada com o filho mais velho do ex-presidente e candidato presidencial, Flávio Bolsonaro, e na véspera com Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro.
Ex-Presidente tem lidado com vários problemas de saúde
Jair Bolsonaro tem vindo a sofrer diversos problemas de saúde que ele e o seu círculo atribuem à facada que sofreu no abdómen durante a campanha eleitoral de 2018.
Entre esses problemas contam-se crises recorrentes de soluços que levam a vómitos, os quais estarão na origem desta última pneumonia bilateral por broncoaspiração, segundo a equipa médica.
Foi condenado em 11 de setembro de 2025 pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e vandalismo.
