Um caso de violência doméstica que envolve dois militares está abalar o Exército, que, na próxima segunda-feira, realiza um exercício nacional no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém.
O caso é avançado na rubrica “Exclusivo”, da TVI, a quem o Exército garantiu que tem salvaguardadas todas as situações que podiam representar perigo. Na mesma resposta, a emissora foi ainda informada de que os militares não vão participar na mesma atividade de treino, assim como estarão no exercício em contextos e locais distintos.
O exercício nacional tem a duração de duas semanas e envolve armas e munições reais. A TVI, do mesmo grupo que a CNN Portugal, informa ainda que já depois da resposta do Exército, a militar, que diz ter sido estrangulada e perseguida e receia ser agredida pelo alegado agressor, entre outras situações, foi informada de que não vai ao exercício em questão, assim como nenhum colega do curso que frequenta.
Já o militar, contactado também pela emissora, não comenta as alegadas agressões, dizendo que não vai ao exercício no Campo Militar de Santa Margarida.
Superior reparou, PJM ativada e queixas de ambas as partes
As alegadas agressões à militar terão durado cerca de um ano e meio estando, atualmente, o militar sujeito à medida de coação mínima – termo de identidade e residência. Isto depois de, explica a emissora, o Ministério Público (MP) ter rejeitado os argumentos da militar para garantir o afastamento do ex-namorado.
O caso avançou depois de uma superior hierárquica da militar ter suspeitado que a jovem sofria de violência doméstica, tendo depois sido ativada a Polícia Judiciária Militar (PJM) e o caso encaminhado para o MP.
A alegada situação de violência doméstica começou primeiro com ciúmes, com, por exemplo, um episódio em que depois de a jovem receber uma fotografia de dois colegas de pelotão, os mesmos foram trancados numa casa de banho pelo então namorado.
À violência psicológica ciúmes e pressão, ter-se-á seguido a violência física. Aconteceu num dia em que a jovem recusou um “contacto físico”. “Foi aí que deu azo a um primeiro murro. No dia a seguir, acordou e tratou-me como se nada tivesse acontecido”, conta à TVI.
A mulher disse que vivia com medo que a situação se repetisse e que chegou mesmo a ser agredida em casa dos avós, onde este lhe terá “partido os dentes.” O pai da vítima terá presenciado e levou a filha ao hospital de Leiria, onde esta passou “várias horas.” Quando voltou, o então namorado “estava no sofá como se nada tivesse acontecido.”
Foi em julho do ano passado que a relação terminou, depois de a jovem dizer ter sido estrangulada. Nesse dia, também o militar se dirigiu à Polícia de Segurança Pública, onde apresentou queixa contra ela, dizendo que esta “partia para a agressão de mão aberta e fechada” e acusando-a de inventar. Nesse altura, no entanto, já o MP averiguava o caso e elaborava o auto.
Segundo o que a mulher explicou à TVI, o ex-namorada chegou-lhe mesmo a dizer que a “mulher tem de ser submissa a um homem” e que, “se não é, vai apanhar.” “Tu és mulher e deves respeito ao homem”, ouve-se num áudio obtido pela emissora.
Após o término o homem terá tentado contactar não só a ex-namorada como os colegas dela. Já quanto ao seu redor, a jovem fala no isolamento, para além das agressões. “Deixei de ter amigos, deixei de ter contacto com os meus familiares”, refere, dizendo que o homem tentou mesmo proibi-la de ter contacto com “própria mãe.”
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