
Os depósitos a prazo dos bancos estão a render cada vez menos, mas mesmo assim os portugueses continuam a colocar a maior parte das poupanças em produtos que perdem dinheiro para a inflação. O Contas Poupança foi à procura de alternativas.
Apesar de renderem juros cada vez menores, os depósitos a prazo continuam a ser o produto de poupança preferido dos portugueses. As taxas descem de mês para mês, mas o valor colocado nos bancos continua a subir.
Vamos a um exemplo.
Se colocar 10.000 euros num depósito a prazo que renda 1% líquidos, ao fim de um ano vai ter mais 100 euros.
Mas, se a inflação nesse mesmo ano foi de 2.1%, isso significa que o seu dinheiro desvalorizou 210 euros. Ou seja, pensando que está a ganhar dinheiro, terá de facto 10.100 euros na conta bancária, mas esse dinheiro só valerá 9 887,90 €.
É por isso que, para não perderem valor, as suas poupanças têm de estar a render sempre acima de 2%.
Já vamos ver quais são as alternativas com capital garantido, mas é importante sublinhar que – embora ainda sejam uma minoria – há cada vez mais portugueses a colocar uma parte das suas poupanças em Fundos de Investimento, PPR e em outros produtos relacionados com as bolsas. Mas com capital garantido, não há de facto muitas opções.
As promoções mudam de um mês para o outro. Se terminar o período de 3 meses e deixar lá o dinheiro, o resto do ano passa a render quase a zero. Para manter o seu dinheiro a render 2,5% ou 3%, tem de o retirar imediatamente desses depósitos promocionais para o colocar noutro. Cada dia que deixar passar, já estará a perder a taxa de juro com que estava a contar.
Normalmente encontra taxas de juro melhores em bancos menos conhecidos, e isso exige andar sempre a abrir e fechar contas. Não é prático e em alguns casos os valores iniciais são de 25 ou 50 mil euros.
Portanto, a conclusão dos especialistas em finanças pessoais é que os depósitos dos bancos são úteis, mas apenas para manter o fundo de emergência. E mesmo assim, com uma condição.
O valor investido em certificados de aforro tem vindo a subir. Não porque as taxas sejam melhores, mas porque as taxas dos depósitos continuam a baixar.
Outro problema são as comissões.
Voltando ao exemplo dos 10 mil euros, se ganhar 100 euros em juros, mas pagar 100 euros em comissões de manutenção de conta e outras, na prática não ganhou nada e ainda perdeu os 210 euros de que falámos há pouco para a inflação.
Há bancos que cobram 5, 6 ou 7 euros por mês só para ter a conta aberta, e há famílias que têm 3 contas bancárias. Estamos a falar de 300 euros por ano em alguns casos.
Como alternativa, procure bancos que não cobram comissões de manutenção de conta ou, se só tiver uma conta à ordem em Portugal, peça ao seu banco para a transformar numa conta de serviços mínimos bancários.
Mas para saber quanto – na realidade – lhe está a cobrar o seu banco, deve ir ver o mais depressa possível o seu extrato de comissões bancárias. Tem exatamente este nome e é um documento que os bancos são obrigados a enviar a todos os clientes em janeiro a dizer o valor total que pagaram no ano passado. Está no seu e-mail ou no seu ‘homebanking’.
Se achar que é um desperdício pagar estas comissões, feche essas contas ou encontre alternativas mais baratas. Há situações em que pode ganhar mais dinheiro por fechar uma conta bancária do que por ter milhares de euros num depósito a prazo a render uma miséria.
Se só aceita pôr o seu dinheiro com capital garantido, procure sempre os melhores depósitos a prazo – mesmo que não seja no seu banco.
Nunca aceite menos de 2%. Se não conseguir, os certificados de aforro têm sido uma das melhores opções porque estão a render 2% mais prémios de permanência.
Não batem a inflação, mas não perde tanto como na maior parte dos depósitos a prazo.
