O deputado do Chega Rui Afonso, acusado por um arguido no caso 1143 de comprar votos a membros do grupo neonazi, reagiu às acusações classificando a notícia como um “autêntico disparate”.
Segundo o parlamentar, a informação partiu de três dissidentes do partido que “estão contra” o Chega.
Rui Afonso lamentou aquilo que classificou como um “triste espetáculo” que “não tem nada a ver com justiça” nem “tem nada a ver com política”.
“Na altura das eleições distritais, em setembro de 2023, nem sequer existia grupo 1143”, começou por justificar, em entrevista na SIC Notícias, este domingo. “O grupo 1143, segundo aquilo que agora tive oportunidade de pesquisar, surgiu da Juventude Leonina, em Lisboa. Portanto, não tinha elementos no Porto.”
“No Porto, o grupo 1143 pura e simplesmente não existia, é uma mentira”, insistiu.
“As pessoas que me acusaram foram três pessoas que são dissidentes do partido, que estão contra o partido, que estão contra a distrital do Porto. Reparem, eu pagava entre 3.500 e 3.800 euros? E inscrevi centenas de militantes? Já viu o esforço financeiro, o dinheiro que eu tinha que ter para inscrever essas pessoas todas?”, questionou também.
O deputado, que recusa ter qualquer ligação ao grupo 1143, é acusado de ter pago a dezenas de membros do 1143 meses de quotas e quantias para irem votar. Contudo, questiona como é que nenhum desses membros confirmou os factos à reportagem avançada pelo jornal Público.
“Entraram mais de cem pessoas e não há uma única pessoa que possa dizer que efetivamente eu paguei as quotas?”, questinou
“Há três pessoas ou quatro que estão dissidentes do partido, como existem em todos os partidos. E decidem lançar falsos anátemas sobre esse partido e sobre o presidente da distrital”, acrescentou Rui Afonso.
“Isto é um verdadeiramente disparate, foi uma notícia feita com base em três testemunhos de pessoas que são dissidentes do Chega e que estão de costas voltadas com o partido e que, de alguma forma, querem fazer um assassinato de carácter à minha pessoa e atacar o partido”, justificou, anunciando mesmo que já pediu ao conselho de jurisdição nacional do Chega para abrir um processo de averiguações interno.
“O jornalismo não pode ser uma arma de arremesso político, uma arma de achincalhamento político. Estas notícias são autênticos disparates. Acho sinceramente que se conseguirem ver as coisas com mais profundidade, vão ver que esta notícia não tem assunto absolutamente nenhum”, criticou.
“Dizem que eu escrevi centenas de militantes para ganhar as eleições na distrital. Eu tive, nas eleições distritais de 2023, 172 votos”, continuou o deputado. “Eu tinha 18 concelhias comigo, era presidente incumbente. E ganhei com 172 votos. Acha realmente que eu estive a inscrever centenas e centenas de militantes? Não tem razoabilidade absolutamente nenhuma.”
Tirso Faria, coordenador do núcleo de Santo Tirso da organização neonazi, disse ao jornal Público que Rui Afonso “inscreveu dezenas de membros [do 1143] no partido, pagou-lhes meses de quotas e quantias para irem votar”.
“Ao que sei, os valores envolvidos andarão entre 3.500 e 3.800 euros”, acrescentou Tirso Faria, militante do Chega e antigo vice-presidente da concelhia do partido em Santo Tirso.
A direção liderada por Rui Afonso ganhou as eleições internas para a distrital do Chega no Porto em setembro de 2023, mas sem divulgar o universo total de votantes, recordou o Público.
“Terão entrado mais de cem membros desse [o 1143] e de outros grupos e ouvi falar em pagamentos acima de 3.500 euros”, disse ao diário Artur Carvalho, ex-adjunto da de Rui Afonso na distrital do Chega no Porto.
Em 20 de janeiro, a PJ deteve na operação “Irmandade” 37 pessoas e constituídas arguidas outras 15, por suspeita da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.
