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Empresa britânica desenvolve tecnologia para satélites medirem a temperatura da Terra


Olhares pelo Mundo

Uma empresa nascida na Universidade de Cambridge quer levar para o espaço uma nova geração de câmaras infravermelhas para satélites capazes de medir a temperatura da Terra com elevado detalhe.

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A start-up SuperSharp Space Systems pretende aplicar esta tecnologia à observação da Terra, disponibilizando imagens térmicas para áreas como monitorização climática, agricultura, setor marítimo e segurança.

“Pegamos em tecnologias que foram desenvolvidas para a astronomia e adaptamo-las”, disse à Reuters Elizabeth Seward, diretora executiva da empresa.

As imagens térmicas permitem observar variações de temperatura à superfície da Terra, o que abre um leque alargado de utilizações.

Segundo a empresa, estes dados podem ajudar a acompanhar alterações climáticas, analisar o consumo de energia, avaliar o stress hídrico das culturas agrícolas ou detetar fenómenos extremos, como incêndios florestais.

“Medir a temperatura do planeta é, em certa medida, semelhante a medir a temperatura de uma pessoa: permite avaliar a sua ‘saúde’, o consumo de energia e a atividade”, explicou Seward.

No setor agrícola, a tecnologia poderá ser usada para monitorizar o desenvolvimento das plantas. Já nas cidades, poderá ajudar a identificar ilhas de calor, perdas energéticas em edifícios ou falhas de isolamento.

Na área da segurança, as imagens térmicas permitem detetar atividade no terreno com base em alterações de temperatura.

“Ao captar uma imagem infravermelha, conseguimos identificar mudanças ao longo do tempo a partir de um único registo. É possível perceber onde houve movimento ou presença recente”, afirmou.

Ao contrário das câmaras convencionais, que captam luz visível, esta tecnologia mede o calor emitido pelos objetos.

A empresa afirma que o sistema foi concebido para funcionar tanto de dia como de noite e utiliza óticas desdobráveis e autoalinháveis, permitindo integrar telescópios de grande dimensão em satélites mais pequenos. O objetivo é reduzir custos de fabrico e lançamento, ao mesmo tempo que aumenta a frequência de recolha de imagens.

Expansão para a vigilância espacial

Para além da observação da Terra, a empresa está também a desenvolver aplicações para o espaço.

A tecnologia poderá ser usada para seguir satélites e detritos espaciais através das suas assinaturas térmicas e para monitorizar o estado de funcionamento de satélites a partir do solo.

Lançamentos previstos

A empresa está a desenvolver três sistemas.

O primeiro, chamado Casper, deverá ser lançado em fevereiro de 2027. Segue-se o Hibiscus, previsto para o verão do mesmo ano. Um terceiro sistema, Spirit, deverá chegar ao espaço em 2028, depois de uma fase de testes com balões de alta altitude.



SIC Noticias

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