Empresas admitem absorver algumas das subidas para que o consumidor final não tenha de sentir o aumento nos preços na totalidade.

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A subida dos combustíveis tem um forte impacto na indústria, sobretudo em setores que dependem de combustíveis. É o caso das empresas de transportes e logística, mas também do setor das embalagens. Os empresários pedem a ajuda do Governo.
Numa só semana os custos da Vizelpas, uma empresa em Santo Tirso, aumentaram 70%. Desse valor 60% são em matérias primas e pelo menos 10% na energia.
Modesto Araújo, CEO da Vizelpas, acredita que aumentos não vão “ficar por aqui”.
“São aumentos à semana e não sabemos onde vai parar”, referiu.
Aqui o principal negócio são as embalagens de plástico para alimentos, importam 90% das matérias primas e exportam 70% da produção.
Esta empresa não é caso único. As dificuldades são transversais por todo o país.
Ramiro Brito, da Associação Empresarial do Minho, explicou que as empresas estão num cenário em que se gerem dia a dia.
“As medidas e impactos são geridos e absorvidos de uma forma diferente, torna-se muito difícil gerir esta situação”, referiu.
A instabilidade e a incerteza associadas à escalada dos preços dos combustíveis são nesta altura os piores inimigos da indústria. Mesmo que as empresas absorvam algumas das subidas para não perderem competitividade e para que o consumidor final não tenha que sentir o aumento nos preços na totalidade, os empresários pedem a ajuda do Governo.
Para Ramiro Brito, o Governo pode ajudar ao “travar as subidas através dos impostos”, com uma ajuda para as empresas, considerando que “olhar para o futuro e reduzir a dependência deste tipo de produtos é estratégica”.
Reduzir a dependência energética dos produtos petrolíferos parece uma tarefa mais difícil no curto prazo para este empresa de transportes.
Paula Mainini, CEO da FEMA, reforçou que o transporte é o “sistema circular da economia”, considerando que “quando a energia sobe tem impacto direto na economia”, adjetivando esta situação como “uma flecha”.
A FEMA tem 73 viaturas próprias e subcontrata várias outras, quer para transporte nacional, internacional ou logística.
Com quase 100 funcionários e com mais de três décadas a operar, vive dias difíceis e na incerteza.
