O engenheiro florestal António Silva Vivas, que era chefe de divisão de Espaços Verdes e Jardins da Câmara de Braga, é o novo presidente da empresa pública Florestgal, que esteve mais de um ano sem liderança.
“Foi nomeado para o cargo de presidente do Conselho de Administração (com funções executivas) António José Silva Vivas para o mandato 2026/2028”, afirmou hoje à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Agricultura.
O esclarecimento surge depois de uma notícia da Lusa publicada hoje a dar conta de que aquela empresa pública de gestão florestal estava há mais de um ano sem presidente.
A Lusa não recebeu, até à publicação dessa notícia, qualquer resposta por parte da tutela a um pedido de esclarecimento sobre o caso feito no dia 18.
De acordo com fonte oficial do Ministério da Agricultura, a nomeação de António Silva Vivas “teve efeitos a 23 de março de 2026”.
O novo responsável da Florestgal é licenciado em engenharia florestal e tem um doutoramento em ciências agronómicas e florestais.
O novo presidente “recebeu parecer favorável da CReSAP [Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública]”, acrescentou a mesma fonte.
De acordo com documentos da Câmara de Braga consultados pela Lusa, António Silva Vivas foi guarda-florestal, depois técnico superior na antiga Direção-Geral das Florestas (atual Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e foi chefe de Divisão do Controlo Fitossanitário da Direção Regional da Agricultura de Entre Douro e Minho.
Segundo documento do município de 2026, António Silva Vivas era chefe de Divisão de Jardins e Espaços Verdes da Câmara de Braga em comissão de serviço desde 2016.
Fonte oficial do Ministério da Agricultura referiu à Lusa que as duas vogais do anterior conselho de administração – Cândida Pestana e Maria Azevedo e Silva – mantêm-se em funções.
No ‘site’ da empresa ainda não foi atualizada a informação relativa ao novo conselho de administração.
A Florestgal, sediada em Figueiró dos Vinhos e criada após os incêndios de 2017, esteve mais de um ano sem presidente, depois de José de Jesus Gaspar ter apresentado a demissão em janeiro de 2025, numa altura em que o conselho de administração já estava em gestão desde o final de dezembro de 2023.
José de Jesus Gaspar tinha assumido as rédeas daquela empresa que detém milhares de hectares de floresta no território nacional em junho de 2023, tendo sido, na altura, o terceiro presidente da Florestgal no espaço de cinco anos.
No plano de atividades para o triénio 2025/2027, publicado em dezembro de 2024, a Florestgal dava nota de que o conselho de administração estava em gestão desde dezembro de 2023, “não tendo sido celebrados os contratos de gestão para o triénio em análise”.
Anteriormente, a Florestgal foi presidida pelo engenheiro florestal Rui Gonçalves, que foi demitido em outubro de 2022, pouco mais de um ano depois de assumir o cargo, após a publicação de um artigo de opinião no jornal Público, no final de setembro, em que tecia várias críticas ao sistema de combate no incêndio da Serra da Estrela.
A Florestgal foi criada após os grandes incêndios de 2017, a partir de uma empresa já existente, a Lazer e Floresta, ‘herdando” os seus ativos.
De acordo com o seu ‘site’, a empresa tem cerca de 15,6 mil hectares distribuídos por 86 propriedades em 26 concelhos de Portugal Continental, a que acrescem cerca de 6,9 mil hectares em áreas integradas de gestão da paisagem, que estão à sua responsabilidade.
