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Envenenavam turistas e simulavam evacuações de emergência: o esquema milionário do Monte Evereste


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O turismo de escalada no Monte Evereste está no centro de um esquema de fraude de seguros, envolvendo guias, operadores turísticos e hospitais. A investigação, reaberta após o caso ser descoberto em 2018, revelou que o esquema gerou milhões de dólares e afetou milhares de alpinistas internacionais.

Alpinistas formam uma fila à medida que se aproximam do cume do Monte Everest, no Nepal, a 18 de maio de 2025.

Kunga Sherpa / AP

Nos últimos anos, o turismo dedicado à escalada do Monte Evereste registou um aumento significativo, transformando-se numa das vertentes turísticas mais lucrativas, mas também das mais dispendiosas. Uma investigação recente das autoridades locais revelou que guias e outras entidades estavam a enganar os turistas, envolvendo-os num esquema de fraude de seguros avaliado em milhões de dólares.

O esquema foi inicialmente descoberto em 2018, mas voltou à tona depois do Departamento Central de Investigação da Polícia do Nepal ter reaberto a investigação no ano passado, de acordo com o Kathmandu Post. Pelo menos 32 pessoas foram indiciadas e 11 detidas numa fraude que terá gerado cerca de 20 milhões de dólares em indemnizações de seguros, afetando 4.782 alpinistas internacionais entre 2022 e 2025.

A investigação revelou que guias turísticos manipulavam a alimentação dos alpinistas, adicionando substâncias como bicarbonato de sódio para causar problemas gastrointestinais. Isso provocava sintomas semelhantes aos da doença da altitude, como vómitos, náuseas e fraqueza, que costumam surgir quando os turistas chegam a altitudes superiores a 3.000 metros.

Aproveitando-se dessa situação, os guias criavam falsas necessidades de evacuações de emergência por helicóptero e tratamentos médicos adicionais, com diagnósticos inventados ou exagerados. O esquema envolveu no total uma vasta rede composta por guias e agências de trekking, operadores de helicópteros e até administradores de hospitais e médicos.

Envolvidos no esquema fraudulento, segundo o Kathmandu Post, estão entidades como Era International Hospital, Shreedhi International Hospital, Mountain Rescue Service, Nepal Charter Service e Everest Experience and Assistance, que terão recebido milhões de dólares cada uma.



SIC Noticias

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