Enquanto o Irão recusa discutir um cessar-fogo, os Estados Unidos intensificam a operação militar. A escalada do conflito já provoca reações entre aliados ocidentais e aumenta os receios de impacto económico e energético na Europa.

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Apesar dos apelos da China para reduzir as tensões, o regime dos Ayatollahs no Irão recusa discutir um cessar-fogo enquanto continuar sob ataque de Israel e dos Estados Unidos.
Dez dias após o início do conflito e com a morte de um dos líderes, os norte-americanos classificam a operação militar como uma “missão”. O secretário de Estado, Marco Rubio, explicou que os objetivos são claros: “Destruir a capacidade do regime iraniano de lançar mísseis”. Para isso, Washington pretende aniquilar os mísseis, os seus lançadores e as fábricas responsáveis pela sua produção.
Para já, não há envio de tropas americanas para território iraniano, mas a possibilidade não está totalmente descartada. Os Estados Unidos continuam a referir-se a Teerão como um regime terrorista. Do lado iraniano, a resposta mantém-se firme contra aquilo que chamam de “Grande Satã”.
“O nosso Irão e o nosso país não se curvarão facilmente perante a intimidação, opressão e a agressão, e nunca se curvaram”, afirmou Masoud Pezeshkian, presidente do Irão.
No Médio Oriente, tal como outros países do Golfo, os Emirados Árabes Unidos recusam participar em qualquer ataque contra o Irão. Já no Reino Unido, o primeiro-ministro, Keir Starmer, acabou por alterar a posição inicial e autorizou os Estados Unidos a utilizarem bases militares britânicas. Ainda assim, Londres mantém o discurso de que é necessário reduzir a escalada militar, temendo também o impacto económico do conflito, que poderá fazer a inflação ultrapassar os 3%.
Na Europa, o chanceler alemão, Olaf Scholz, manifesta preocupação com os efeitos do aumento dos preços da energia na economia alemã. Ao mesmo tempo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, adotou um tom pragmático, mas sem apresentar medidas concretas.
Von der Leyen afirmou que a Europa continuará a defender o sistema internacional baseado em regras, construído com os aliados, mas reconheceu que não pode depender apenas desse modelo para proteger os seus interesses. A declaração sugere a necessidade de a União Europeia projetar mais poder, nomeadamente, através de operações de defesa marítima.
Entretanto, no Parlamento Europeu, a presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas apelou à Europa e à comunidade internacional para reforçarem o apoio à ONU, de forma a preservar a ordem mundial criada após a Segunda Guerra Mundial.
