Uma criança de dois anos está em estado crítico após receber um coração doado que chegou danificado. Painel de especialistas decide que menino não tem condições para um novo transplante e a mãe “já se conformou” com a ideia de que o filho não vai sobreviver.
Ciro De Luca
Numa luta pela sobrevivência, um menino italiano de dois anos está em estado crítico após receber um coração doado que chegou danificado. Após um esforço incalculável para se manter viva, a criança não apresenta condições clínicas para enfrentar um novo transplante.
A decisão foi tomada esta quarta-feira, por um painel de especialistas, colocando um ponto final na possibilidade de sobrevivência da criança e provocando uma onda de indignação em Itália.
Este caso está a levantar sérias dúvidas sobre os procedimentos adotados em transplantes de órgãos e também sobre eventuais falhas e responsabilidades no sistema nacional de saúde italiano.
Mãe já se “conformou que o filho não vai sobreviver”
À porta do Hospital Monaldi, em Nápoles, onde a criança está internada, o advogado da família, Francesco Petruzzi, explicou que “a mãe já se conformou com a ideia de que o filho não vai sobreviver”
“Ela vê que ele ainda está vivo. Ele ainda não fechou os olhos, mas os melhores especialistas disseram que ele não pode receber outro transplante, então ela também aceitou isso”.
Em comunicado, o hospital de Nápoles esclareceu que convocou um grupo de especialistas dos principais centros italianos de transplante cardíaco pediátrico para analisarem os resultados dos exames mais recentes do pequeno Domenico. A unidade hospitalar destacou que, após a avaliação, foi determinado que a condição clínica da criança “não é compatível com um novo transplante”.
No passado mês de dezembro o menino tinha recebido um transplante considerado essencial para que sobrevivesse. No entanto, o coração doado sofreu danos durante o transporte desde o norte de Itália até Nápoles.
De acordo com o advogado da família, o órgão foi embalado, de forma incorreta, em gelo seco, em vez de gelo convencional, durante uma viagem de cerca de oito horas.
O advogado da família referiu ainda que a família pretende agora consultar todos os registos médicos para compreender o que falhou ao longo do processo. “Se o tempo da esperança chegou ao fim, começa agora o tempo da responsabilidade”, atirou.
Após o caso ser tornado público, o Ministério Público italiano abriu uma investigação, estando atualmente seis paramédicos a ser formalmente investigados. Na cadeia de possíveis negligências, os investigadores tentam determinar se esta situação poderia ter sido evitada e se existe alguma responsabilidade. Entretanto, os inspetores visitaram o hospital Monaldi e em breve visitarão o hospital San Maurizio, em Bolzano.
Primeira-ministra garante esforço total para ajudar
Entretanto, a mãe de Domenico, Patrizia Mercolino, revelou que recebeu um telefonema da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, onde lhe foi garantido que o Governo está a fazer todos os esforços possíveis para encontrar um novo coração compatível.
Para o ministro da Saúde, Orazio Schillaci, o parecer negativo “representa um desfecho diferente” do esperado, mas destacou que devem ser seguidas as orientações científicas.
“Juntamente com o Centro Nacional de Transplantes, trabalhámos com afinco e dedicação para garantir novas oportunidades para a criança. Estamos ao lado da família e aguardamos os resultados dos exames. É nosso dever esclarecer a situação“.
Entretanto, o coração foi destinado a um dos dois pacientes considerados compatíveis e aptos para o transplante .
