A esquadra de Cedofeita, no Porto, encerrou o atendimento à população, numa decisão que está a gerar controvérsia. Apesar de o comando da PSP negar alterações significativas, o presidente da Junta alerta para a saída de mais de 30 agentes e para a consequente falta de policiamento na zona.
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No edifício em Cedofeita, remodelado há poucos anos, funcionavam dois serviços da PSP: a 12.ª esquadra, responsável pelo atendimento geral à população, e a esquadra de turismo, vocacionada para o apoio a cidadãos estrangeiros. No entanto, mais de 30 agentes terão sido deslocados para outras esquadras.
“Chegamos aqui e vemos que, efetivamente, apenas temos uma pequena esquadra do turismo com três ou quatro elementos a atender apenas pessoas que falam línguas estrangeiras. Se a população de Cedofeita tiver algum problema e quiser apresentar uma queixa, tem de ir para o Jardim do Infante”, afirma Nuno Cruz, presidente da Junta do Centro Histórico do Porto.
Em declarações à agência Lusa, o comando metropolitano da PSP garante que o atendimento se mantém. Acrescenta ainda que o edifício passou também a funcionar como sede de divisão, após a esquadra do Bonfim ter sofrido danos devido às tempestades, o que obrigou à reorganização de serviços. Esta posição foi reiterada por Pedro Duarte na última assembleia municipal.
“Dentro dessa mesma esquadra, os efetivos foram realocados a outras esquadras dentro da mesma freguesia. De resto, não houve nenhuma alteração e quem se deslocar àquela esquadra será atendido. No período noturno também haverá um polícia; no caso de alguma emergência, será feito o atendimento imediato, com a chamada de um carro-patrulha”, afirmou.
Já a Associação Sindical dos Polícias considera que poderá estar em causa uma tentativa de encobrir a realidade.
“Há aqui um branqueamento constante da realidade e, por outro lado, tem havido uma descapitalização em termos operacionais da Polícia de Segurança Pública, sendo este o melhor exemplo. Sabemos que, efetivamente, a esquadra de Cedofeita, neste momento, não existe do ponto de vista formal”, diz Paulo Santos.
Perante a situação, o presidente da Junta de Freguesia do Centro Histórico, proprietário do edifício, manifesta preocupação com a falta de policiamento nas ruas e admite reavaliar a renovação do contrato de arrendamento.
“Para todos os efeitos estão a cumprir o contrato, mas a renovação cabe à Junta de Freguesia analisar se compensa e o que está em causa.”
Entretanto, a Polícia Municipal do Porto deverá ser reforçada com 80 agentes. O presidente da Junta receia que este reforço venha a implicar a retirada de mais efetivos das esquadras da PSP.
