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Esquerda vence eleições na Dinamarca mas precisa dos centristas para governar



Com 95% dos votos apurados na votação para o novo Parlamento (Folketing), o partido Os Moderados (centro) tem 7,7%, tornando-se decisivo para a formação de um novo governo, dado que nenhum dos blocos à direita ou à esquerda conseguiram uma maioria.

A coligação de direita alcançou 44,2% dos votos nas eleições legislativas antecipadas, que podem garantir um terceiro mandato consecutivo a Mette Frederiksen.

Com 97% dos votos apurados, a esquerda soma 84 assentos contra 77 da direita, ambos aquém dos 90 necessários para a maioria.

Com 14 assentos, os Moderados serão essenciais para formar uma maioria, e os quatro deputados que se repartem em partes iguais pelos territórios autónomos da Gronelândia e das Ilhas Faroé poderão também ter um papel relevante.

Gronelândia ainda não divulgou resultados

No caso da Gronelândia, as mesas de voto encerram mais tarde e o resultado só será conhecido na quarta-feira.

O Partido Social-Democrata de Frederiksen foi o mais votado, com 21,9%, embora tenha obtido o seu pior resultado em perto de um século, à frente do Partido Socialista Popular, com 11,5%.

Seguem-se Partido Liberal(10,2%), que integrou o último governo, a Aliança Liberal (9,4%) e o Partido Popular Dinamarquês (extrema-direita, 9,1%), à frente dos Moderados (7,7%).

As três forças que governaram em conjunto na legislatura anterior, social-democratas, Partido Liberal e centristas, recuam dez pontos percentuais e ficam longe da maioria.

À esquerda, a força política que mais avança é o Partido Popular Socialista, com mais de três pontos, confirmando a vitória histórica alcançada nas eleições europeias de 2024 e o bom resultado nas municipais de há quatro meses, nas quais arrebatou aos social-democratas a presidência da Câmara de Copenhaga após um século.

À direita, o grande vencedor é o Partido Popular Dinamarquês, força precursora, há duas décadas, de uma linha dura em matéria de imigração na Dinamarca e no resto da Escandinávia, que triplica os seus votos e recupera peso na política dinamarquesa após a queda de 2022.

Até 12 forças políticas ultrapassam a barreira mínima de 2% para entrar no Folketing, o mesmo número que atualmente, embora o Partido dos Cidadãos, com 2,1% provisórios, ainda possa ficar de fora.

Eleições antecipadas

Frederiksen convocou as eleições em fevereiro, vários meses antes do necessário, aparentemente na esperança de que a sua imagem de firmeza na crise da Gronelândia perante os Estados Unidos reforçasse a sua votação.

No seu segundo mandato, o seu apoio diminuiu com o aumento do custo de vida, algo que, juntamente com as pensões e um possível imposto sobre as grandes fortunas, tem sido um tema importante da campanha.

A social-democrata de centro-esquerda, de 48 anos, é conhecida pelo seu forte apoio à Ucrânia e pela sua abordagem restritiva à imigração, dando continuidade a uma tradição na política dinamarquesa que já dura há duas décadas.

Procurando contrariar a pressão da direita e apontando para um possível aumento da imigração devido à guerra com o Irão, Frederiksen anunciou este mês propostas que incluem um potencial “travão de emergência” para o asilo e controlos mais apertados sobre os criminosos sem residência legal.

O seu Governo já tinha divulgado um plano para permitir a deportação de estrangeiros que foram condenados a pelo menos um ano de prisão por crimes graves.

O governo tripartido de Frederiksen foi o primeiro em décadas a abranger todo o espetro político. Resta saber se esta eleição resultará numa repetição, com o Partido Moderado, de centro, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, a servir possivelmente como fiel da balança.

Com LUSA



SIC Noticias

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