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“Está muito difícil viver”: histórias de quem enfrenta o drama da habitação em Portugal


Habitação

Milhares de pessoas manifestaram-se esta tarde em 16 cidades do país contra as medidas do Governo para a habitação, exigindo a regulação dos preços das rendas e o aumento da duração dos contratos.

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Aos 57 anos, Paula Godinho teve de mudar de casa. Sem alternativas devido aos preços elevados, está há cinco meses a viver num quarto.

“Neste momento estou em Lisboa, na Encarnação, não tenho possibilidades de pagar uma renda. Estou num quarto que custa 500 euros. Já fui ameaçada várias vezes para sair”, contou Paula Godinho.

Depois de pagar a renda, não lhe sobra dinheiro para sobreviver durante o resto do mês.

“Eu estou a comer graças à Refood, se não, já não estaria”, acrescentou.

A mesma incerteza sente-se na vida de outros manifestantes de diferentes gerações que este sábado desceram a Avenida da Liberdade em protesto.

“Moro numa casa com 30 metros quadrados, cheia de humidade”, disse uma manifestante. Chegou com o marido a Lisboa há 11 anos, mas as poupanças que conseguiram juntar estão longe do necessário para comprar casa.

Também Marta Coelho, de 23 anos, sente o peso dos preços praticados na habitação.

“Continuo a viver na casa dos pais, apesar de ter um trabalho, ser licenciada e ter um mestrado”, afirmou.

O direito à habitação foi exigido em 16 cidades do país. No Porto, a manifestação reuniu centenas de pessoas.

“O nosso governo acha que uma renda moderada se pode considerar 2300 euros, ou seja, a maior parte dos jovens não saem de casa tão cedo. Dos 30 anos para cima é a realidade que temos hoje em Portugal”, afirmou Catarina Dias, durante o protesto.

“Está muito difícil viver. As rendas são muito, muito caras. No meu caso particular, estou desempregada e não dá para viver, o custo do cabaz alimentar é muito elevado”, acrescentou Joana Gil.

Sem respostas e sem apoios, Emília Oliveira pode ter de encontrar em breve um novo sítio para viver.

“Não ganho para as rendas atuais. Não há casas suficientes, mesmo pagando bem. Tenho o meu processo todo na Câmara, na habitação social, mas não sei se chego a tempo, até 31 de outubro”, revelou.

Os manifestantes acusam o Governo de agravar a inflação imobiliária com o pacote de 30 medidas. Nos últimos três meses do ano passado, os preços das casas subiram 18%.



SIC Noticias

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