Nesta sexta-feira, na Convenção da National Action Network, Kamala Harris deu um forte sinal sobre a possibilidade de voltar à ‘corrida’ à Sala Oval em 2028. A ex-vice-presidente dos EUA já tinha brincado com a ideia antes, mas desta vez disse-o em voz alta perante uma audiência de eleitores, legisladores e influentes figuras da política norte-americana.
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“Ouça, talvez, talvez. Estou a pensar nisso“, disse Kamala Harris ao reverendo Al Sharpton na convenção da National Action Network, organização de direitos civis nos EUA, nesta sexta-feira, quando questionada se se iria candidatar novamente em 2028.
“Vou mantê-lo informado”, disse Harris, ao sair do palco e recebendo uma ovação de pé naquele que foi o evento de apresentação de potenciais candidatos democratas à Casa Branca em 2028.
“Sei em que consiste o cargo e o que ele exige”, acrescentou.
Em comparação com qualquer outro dos democratas que falaram no início da semana, como o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, o governador de Illinois, JB Pritzker, e o deputado pela Califórnia Ro Khanna, Harris foi a figura recebida com mais entusiasmo pelo público.
“Concorra de novo! Concorra de novo!”, ouviu-se, em certa altura, vindo da plateia, segundo o jornal Politico.
Os aplausos e o entusiasmo atingiram tal intensidade que Al Sharpton teve, inclusive, de dirigir uma advertência, num tom de brincadeira, ao público. “Isto é uma convenção, não um renascimento”, disse o reverendo.
Kamala Harris na na convenção da National Action Network, a 10 de abril de 2026, em Nova Iorque
Jeenah Moon / Reuters
Ao longo da conversa na convenção, Kamala Harris atacou fortemente Donald Trump, criticando as ações do Presidente norte-americano na guerra no Médio Oriente, na política externa e nos direitos de voto.
A ex-candidada reconheceu também a influência que Trump e o Partido Republicano exerceram sobre determinados eleitores de grupos sociais considerados minoritários, em 2024.
“Acho que precisamos de ser eleitores transacionais”, disse Kamala. “Eis o que estou a sugerir além disso: obtenham o que vos é devido. Votem e digam: “Estou a votar porque espero algo em troca”… Estou a dizer que não há problema em dar às pessoas permissão para serem transacionais e para dizerem: ‘Se quiserem o meu voto, eis o que espero. Espero obter algo com isto’”, rematou a democrata.
Os prenúncios de uma recandidatura
Pessoas do círculo próximo de Kamala afirmaram que a democrata está, genuinamente, indecisa quanto à possibilidade de voltar a concorrer à Casa Branca.
Apesar de bastante prematuras, Harris lidera várias sondagens sobre as principais escolhas dos democratas para a presidência em 2028, provavelmente impulsionada pelo seu reconhecimento devido às duas candidaturas anteriores à Casa Branca e ao seu mandato de quatro anos como vice-presidente sob o comando do ex-presidente Joe Biden.
Em fevereiro, a ex-vice-presidente norte-americana reativou uma das contas na rede social X usada na campanha democrata à presidência em 2024. Segundo Harris, a reativação aconteceu para fornecer informação aos jovens norte-americanos e dar destaque a autoridades eleitas e figuras da sociedade civil. Porém, rapidamente, o gesto foi considerado um sinal que indicava uma possível recandidatura de Kamala.
Aprovação de Trump em queda
Ao mesmo tempo que Kamala aparece como uma das principais figuras nas sondagens para as primárias democratas, a acontecer em novembro deste ano, Donald Trump vê a taxa de aprovação descer para um mínimo de 37% na sondagem feita em janeiro de 2026 pelo Pew Research Center.
A desaprovação do seu trabalho na Sala Oval subiu para 61%. 50% consideraram as suas ações “piores do que o esperado” e 52% manifestaram apoio a “poucas ou nenhumas” das suas políticas. Também no dia 3 de novembro, realizam-se as intercalares, eleições realizadas após dois anos das eleições presidenciais, a meio do mandato.
O então candidato presidencial republicano, Donald Trump, à esquerda, e a então candidata presidencial democrata, Kamala Harris, antes do início de um debate presidencial da ABC News, a 10 de setembro de 2024, Filadélfia, na Pensilvânia
Alex Brandon / AP
Nas conhecidas ‘midterms’ está em causa a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de um terço do Senado, para além da eleição de 36 governadores e outras autoridades locais. Trump reconheceu que os republicanos podem perder nas intercalares.
Em abril, a tendência de queda mantém-se.
Pela primeira vez no segundo mandato, Trump viu a sua taxa média de aprovação cair abaixo de 40%, estabilizando-se em 39,7%, segundo o agregador de pesquisas Silver Bulletin, com um índice de desaprovação líquida de -17,4%, também o menor já registado para este período. A discrepância entre as promessas de campanha e a realidade aumenta a cada semana.
