Em comunicado divulgado hoje, no âmbito do Dia Mundial da Vida Selvagem, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adianta que “os estudos científicos levados a cabo pelos projetos Cavalos de Troia e CavalSado revelaram que o estuário do Sado tem uma elevada importância ecológica para os cavalos-marinhos, reforçando o quão crítico é garantir a conservação deste ecossistema”.
“Os projetos recorreram ao mergulho científico e ao trabalho de proximidade com entidades locais para avaliar a distribuição, abundância e diversidade de cavalos-marinhos e marinhas por todo o estuário, principalmente em zonas de pradarias de ervas-marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias”, explica o ICNF.
De acordo com os estudos, no total foram registados 56 indivíduos pertencentes a cinco espécies: cavalo-marinho-de-focinho comprido (Hippocampus guttulatus), cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus), marinha-comum (Syngnathus acus), marinha-de-focinho-grosso (Syngnathus typhle) e agulhinha (Nerophis sp.).
Foram ainda identificadas “três zonas prioritárias para a conservação, nomeadamente Soltroia, Marina de Troia e Marina Marbella, devido à abundância e diversidade de espécies de cavalos-marinhos e/ou marinhas observada nesses locais”, designados por “hotspots”.
O ICNF salienta a importância dos cavalos-marinhos, considerados “espécies-bandeira para a conservação, particularmente vulneráveis devido à baixa capacidade de dispersão e elevada dependência de habitats específicos”, que “funcionam como indicadores da qualidade ambiental dos sistemas costeiros e estuarinos”, contribuindo para a preservação da biodiversidade associada e para a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos.
Por outro lado, foram identificadas algumas ameaças a estas espécies emblemáticas, nomeadamente a degradação de habitat, o lixo marinho e o ruído subaquático.
O resultado dos estudos divulgados pelo ICNF destaca ainda que, pela primeira vez, foi identificado um jardim de gorgónias – corais de água fria – a baixa profundidade e em substrato móvel, que não estão reportados para ambientes estuarinos.
Esta informação científica constitui uma “base fundamental de referência para a monitorização futura e para apoiar decisões de gestão, planeamento territorial e definição de medidas de proteção no estuário do Sado”, lê-se na nota.
Ainda segundo o ICNF, “o trabalho desenvolvido reforça a importância de soluções baseadas em dados científicos, na cooperação, no envolvimento das comunidades e entidades locais, e de estratégias integradas para aumentar a resiliência dos ecossistemas estuarinos”.
A investigação resulta de uma colaboração entre diversas entidades públicas e privadas, como a Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha (MARDIVE), Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT), Rede de Investigação Aquática (ARNET), Tróia-Natura, Programa Mares Circulares da Coca-Cola em Portugal, implementada pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), Câmara Municipal de Setúbal e ICNF.
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