Agronegócio

Estudo revela aroma de jasmim e frutas no café moçambicano do parque de Chimanimani


Um estudo conduzido pela Universidade de Lisboa concluiu por níveis elevados de compostos aromáticos associados a jasmim e fruta no café orgânico produzido no Parque Nacional de Chimanimani, centro de Moçambique, tornando-o único.

O estudo, consultado hoje pela Lusa, conduzido pela Universidade de Lisboa em parceria com a Universidade do Espírito Santo do Brasil, o Instituto Superior Politécnico de Manica e o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), foi realizado nas plantações do monte Tsetsera, no interior do Parque Nacional de Chimanimani, na província de Manica.

A investigação realizada em junho de 2024 durante a safra, baseando-se em ensaios de fermentação do café, concluiu haver acúmulo de álcool feniletílico (aroma semelhante a rosas) e linalol (aroma floral) nos grãos do café em referência, com a presença de acetato de etila e outros ésteres microbianos no café de Chimanimani.

“Esses metabólitos, combinados com compostos voláteis derivados do ‘terroir’ [identidade única de um lugar], contribuíram para uma bebida de qualidade especial caracterizada por notas frutadas e florais distintas, consistentes com os ‘terroirs’ de alta altitude da África Oriental”, conclui-se no estudo, que aponta que este café tem 87,25 de pontuação, segundo padrões internacionais de degustação.

O estudo da Universidade de Lisboa concluiu haver um eixo microbiano composto por assinatura única que materializa com aroma e açúcar únicos que dão identidade ao café de Chimanimani.

“Os níveis elevados de álcool feniletílico e linalol destacam esses compostos como marcadores microbianos promissores da qualidade impulsionada pela fermentação, formando uma assinatura bioquímica não relatada anteriormente para nenhuma outra região produtora de café”, acrescenta-se no documento.

No estudo pretende-se que a presença desses elementos químicos que se materializam no aroma e sabor do café sejam relevantes na compreensão da fermentação deste café, mas também para orientar o desenvolvimento de culturas iniciadoras microbianas adaptadas à região e para estabelecer critérios cientificamente fundamentados para a diferenciação geográfica de cafés especiais africanos.

Futuros estudos sobre o café de Chimanimani vão avaliar a presença desses elementos diferenciadores antes identificados, a serem realizados durante diferentes épocas de colheita para estabelecer a comparação com outros cafés de África. O objetivo é avaliar a robustez desses marcadores diferenciais, confirmar sua reprodutibilidade em diversas condições ambientais e consolidar a base bioquímica para o reconhecimento e a valorização dos cafés especiais africanos no mercado global.

O café orgânico produzido no Parque Nacional de Chimanimani estreou-se em 20 de junho de 2024 na exportação para o Reino Unido, com os primeiros 500 quilogramas selecionados manualmente, grão a grão, nos últimos quatro anos.

Nas terras altas enevoadas das montanhas Chimanimani, o café orgânico é produzido como parte de um sistema agroflorestal, que contribui para o reflorestamento de áreas degradadas e desmatadas da reserva para proteger o solo, a flora e a fauna.

A Lusa noticiou anteriormente que Moçambique conta com cerca de 300 hectares para produção de café, com os produtores a sonharem em ver o nome do país entre os principais produtores do continente.



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