Portugal

"Europeus não podem ser os únicos vegetarianos num mundo de carnívoros"

O antigo primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso comentou, na noite desta quarta-feira, o conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão a desenrolar-se à escala regional (e a preocupar os palcos mundiais), bem como as consequências políticas e económicas que daí advêm e o papel de Portugal.

“Suspeitava já há muito que ia acontecer. Desde que houve o ataque do Hamas, de 7 de outubro, Israel viu aqui uma oportunidade de realizar o seu objetivo estratégico, que era e continua a ser a neutralização completa do Irão. Porque o Irão tem como objetivo destruir o Estado de Israel. Para Israel isso é uma questão existencial, na verdadeira aceção da palavra”, começou por dizer na Grande Entrevista da RTP, acrescentando que “há muito que Israel procurava convencer os EUA a juntarem-se numa ação contra o Irão”.

Segundo Durão Barroso, o que está em causa não é “a transição para a democracia”, mas sim “a neutralização completa do poderio militar do Irão”. No entanto, numa análise pessoal, considera que “o regime teocrático, totalitário, iraniano tem os dias contados, ou agora ou depois, porque não tem apoio interno”.

“Obviamente que esta ação não respeitou o direito internacional”, assumiu, mas falando “como português e europeu”: “Não somos nós que vamos decidir se há ou não uma guerra dos EUA contra o Irão, está fora do nosso controlo”. Nesse sentido, “devemos tomar a posição que melhor serve os nossos interesses”.

“Muita gente critica a Europa porque é muito ingénua, mas quando os países tomam uma posição realista somos criticados. Nós, europeus, não podemos ser os únicos vegetarianos num mundo de carnívoros. Temos de assumir que já não somos um adolescente geopolítico, temos de defender os nossos valores e interesses”, sublinhou, referindo que “aqui até já estamos fora disso, já é uma questão de guerra”.

Tendo isso em conta, para Durão Barroso, agora trata-se de decidir se “estamos com os americanos, que são os nossos principais aliados e que, podemos gostar ou não do presidente Trump, mas são uma democracia” ou com o “regime teocrático atroz” – “é uma discussão que já não é do direito, é uma discussão política”.

Decisão de Espanha? “Um erro”

Sobre a decisão de Espanha de recusar o uso de bases militares pelos Estados Unidos para os ataques ao Irão, o antigo presidente da Comissão Europeia considera que foi “um erro”.

“Não gosto de criticar Espanha, mas com esta decisão o que fez foi alienar a ligação com os EUA, conseguiu pôr contra si todo o mundo árabe. Não ganhou nada com esta posição e está praticamente isolada na Europa”, disse Durão Barroso, continuando que não há quase nenhum país europeu com a mesma posição.

Além disso, considera: “Fica registado que um aliado não os apoiou [aos Estados Unidos] num momento importante”. Já “Portugal é um aliado credível, por causa das Lajes”.

Base das Lajes 

Na altura, ministro dos Negócios Estrangeiros, foi Durão Barroso quem assinou, em junho de 1995, o acordo de utilização da Base das Lajes com o secretário de Estado norte-americano Warren Christopher. “Esse acordo é claro: a base das Lajes é portuguesa e os Estados Unidos podem utilizá-la de acordo com determinadas condições”. 

“E o que diz o Governo português é que essas condições foram respeitadas”, rematou.

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