Portugal

Ex-adjunto de antigo ministro detido. Há troca de acusações de agressão

Daniel Soares, que foi adjunto do antigo ministro Duarte Cordeiro, foi detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na noite de domingo para segunda-feira, em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, por alegadamente ter realizado manobras perigosas, fugido e agredido um polícia. 

A notícia foi avançada, esta quinta-feira, pelo Jornal de Notícias (JN), que falou com Daniel Soares. O jurista desmente ter agredido um agente da PSP, dizendo, no entanto, que foi ele a pessoa agredida, assim como o seu companheiro. 

Daniel Soares referiu ainda que o companheiro “sofreu fratura complexa do joelho direito, com vários ossos partidos” e que terá “de ser operado”. 

No entanto, a versão de Daniel Soares não coincide com a versão apresentada no auto da PSP, que apontou que o ex-adjunto não quis fazer o teste de alcoolemia. 

O JN indicou que o jurista e o companheiro, ambos de 38 anos, não tiveram julgamento sumário, notando que foram ouvidos por um juiz de instrução e sujeitos a apresentações na PSP. 

Segundo as autoridades, tudo começou pelas 23h50 de domingo, quando uma patrulha da PSP viu um carro a passar um sinal vermelho num semáforo na Praça da Galiza, no Porto. Já na Rua Campo Alegre, terá sido dada ordem ao condutor para que parasse o veículo, com sinalização luminosa e sonora. No entanto, o Daniel Soares não parou e terá passado um outro vermelho. 

Desta feita, os agentes começaram uma perseguição ao veículo que terá durado cerca de 20 minuto – do Porto até Gaia. Durante a perseguição, o condutor terá tido uma condução perigosa, com mudanças bruscas de direção e ignorando peões em passadeiras.

Já na Rua de Entrecampos, Daniel Soares terá sido obrigado a parar a marcha, uma vez que havia outros carros. Após receber, novamente, ordem para parar por parte das autoridades, o jurista terá respondido com um gesto obsceno, tendo levantando o dedo do meio ao agente da PSP com quem teve contacto visual. 

Depois, de acordo com a polícia, terá seguido a toda a velocidade em direção à VCI (Via de Cintura Interna).

Chegado a Gaia, Daniel Soares terá parado a viatura e “saiu do carro, perguntando ‘o que queres, filho da p***?’, desferindo uma cabeçada na testa” a um agente, refere o auto policial citado pelo JN. 

Também o companheiro de Daniel Soares terá insultado um outro polícia, tendo gritado: “Também queres levar uma cabeçada, filho da p***?”

As autoridades indicaram ainda que os suspeitos, depois da chegada de meios com reforços, foram detidos.

“Aquando da algemagem resistiram, com animosidade, foi preciso projetá-los no solo, dando-lhes as ordens de detenção”, refere o auto.

Os então detidos foram levados para a Esquadra Complexa de Vila Nova de Gaia, onde Daniel Soares ter-se-á recusado a fazer um teste de alcoolemia, o que incorre num crime de desobediência. Já o companheiro foi transportado para o hospital, assim como um agente com escoriações na testa.

E o que diz Daniel Soares?

Ao JN, na sua versão dos factos, Daniel Soares afirmou: “Tudo se precipitou quando fomos abordados pela PSP”. O jurista referiu que disse também ao companheiro para ter “calma”.

O ex-adjunto de Duarte Cordeiro salientou que o facto de os agentes terem conhecimento da sua homossexualidade alterou o comportamento dos agentes da PSP. 

“A partir daí, fomos logos agredidos por esses dois polícias que vinham no carro-patrulha”, contou, acrescentando que ele e o companheiro não se tinham apercebido de que estavam a ser perseguidos, tendo acusado os PSP de mentir: “Estão a montar um cenário contra nós”.

O Notícias ao Minuto tentou confirmar a informação junto de fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP), que se escusou a comentar.

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