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Ex-CEO da TAP diz que foi afastada por motivos políticos e usada como “escudo” pelo Governo


TAP: o futuro e as polémicas

Christine Ourmières-Widener foi demitida em 2023, na sequência do escândalo relacionado com a indemnização de meio milhão de euros atribuída pela companhia à administradora Alexandra Reis.

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A antiga presidente executiva da TAP Air Portugal, Christine Ourmières-Widener, afirma que foi despedida por motivações políticas e utilizada como “escudo” pelo Governo de António Costa. A gestora defende que essa tese ficou comprovada nas escutas da Operação Influencer.

A ex-CEO soube que teria de sair na véspera de uma conferência de imprensa em que acabou por ser demitida em direto na televisão, pelos então ministros Fernando Medina e João Galamba. Quase três anos depois, decidiu voltar ao caso.

Em entrevista ao jornal Observador, Christine Ourmières-Widener afirma: “Hoje tento voltar a contar o que realmente aconteceu para garantir que as pessoas sabem.”

O despedimento por justa causa foi justificado pelo Governo de então com base num parecer da Inspeção-Geral de Finanças, que considerou ilegal a indemnização de meio milhão de euros paga pela TAP a Alexandra Reis.

No entanto, a antiga responsável máxima da companhia garante que a decisão teve natureza política.

“Não foi uma questão de desempenho, a nossa confiança de que estávamos a cumprir o plano; foi uma questão política que levou o Governo a decidir o que decidiu”, sustenta.

Christine Ourmières-Widener afirma ainda que as escutas da Operação Influencer vieram reforçar a sua posição. A ex-CEO refere-se à transcrição de uma conversa entre António Costa e João Galamba, em março de 2023.

Numa escuta datada de 5 de março, pode ler-se: “Se isto se torna num inferno é ela ou nós” e “Já falei com o Fernando e politicamente nós não nos safamos mantendo a senhora, nem a senhora se safa politicamente”.

“Não é uma questão sensacionalista, mas foi provado novamente que fui escudo político, ou escudo humano, se quiser, porque não foi sobre a minha competência como diretora de uma companhia aérea, foi uma manobra do Governo para me usar como escudo político numa altura difícil para eles”, afirma.

Entretanto, continua a correr em tribunal o processo em que a ex-CEO exige à TAP uma indemnização de quase seis milhões de euros. Quase três anos depois da demissão, admite agora a possibilidade de chegar a acordo com a companhia.



SIC Noticias

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