Agronegócio

Ex-ministro da Agricultura moçambicano pede apoio para produtores afetados pelas cheias


O antigo ministro moçambicano da Agricultura Hélder Muteia pediu hoje que o Governo e parceiros apoiem produtores afetados pelas cheias, provendo os recursos, entre os quais terra e financiamento.

“É importante vermos se os produtores têm acesso aos recursos naturais, [como] seja a terra livre de inundações, e precisamos também construir infraestruturas para nos prepararmos para essa situação, e neste contexto há pessoas que são muito vulneráveis e ficaram muito afetadas e carecem de uma atenção especial do Estado e de outras organizações”, disse Hélder Muteia, em Maputo.

O antigo governante explicou que o apoio aos produtores pode ser feito através de políticas de acesso aos recursos naturais, nomeadamente a terra e a água, bem como acesso a tecnologias, por meio de técnicos que ajudem os camponeses a resolver problemas com que o país se debate atualmente.

“E depois devemos ter política de acesso ao mercado, como eles vão vender os produtos, como é que os consumidores vão ter acesso a estes produtos e, também, políticas de acesso a crédito, porque para investir, depois de uma grande crise, é preciso ter crédito. Então, o Estado deve encontrar mecanismos de partilhar o pequeno, médio e grande crédito para os produtores”, referiu Muteia.

Hélder Muteia disse ainda que a resiliência é uma qualidade fundamental para um país como Moçambique e o Estado deve estar sempre preparado com planos de como reerguer-se das dificuldades dos desastres naturais.

Moçambique é considerado um dos países africanos mais expostos aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando com frequência cheias, tempestades e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 270, com registo de quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo atualização de 09 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Os dados do INGD indicam ainda que 399.749 hectares de áreas agrícolas foram perdidos e 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

Foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que chegaram a albergar 113.478 pessoas, dos quais 19 ainda estão ativos, com pelo menos 5.611 pessoas, além do registo de 6.931 pessoas que tiveram de ser resgatadas.



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