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FBI investiga veterano de guerra Joe Kent após demissão devido a ataque ao Irão


EUA

A polícia de investigação norte-americana (FBI) está a investigar Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional Antiterrorista, por possível fuga de informação confidencial antes de se demitir, em rutura com a Casa Branca devido à guerra no Irão.

FBI investiga veterano de guerra Joe Kent após demissão devido a ataque ao Irão

Jenny Kane

Segundo fontes familiarizadas com o caso, citadas pela imprensa norte-americana, a investigação sobre Kent já estava em curso antes de o ex-diretor ter apresentado a demissão esta semana, após expressar oposição à política da Casa Branca relativamente ao conflito armado com o Irão.

A saída de Kent suscitou fortes críticas por parte da Administração de Donald Trump, que o classificou de desleal e pouco fiável, no que os analistas consideraram uma tentativa de o desacreditar após a rutura pública com o Governo.

Na carta de demissão, Kent afirmou que o Irão “não representava uma ameaça iminente” para os Estados Unidos e atribuiu a decisão de atacar o país a pressões de Israel, o que aprofundou as divisões dentro do Partido Republicano sobre a estratégia para aquela região do globo.

A investigação do FBI reacende o debate sobre o uso de investigações federais em contextos políticos, enquadrando-se numa matriz denunciada por vários setores que acusam o Departamento de Justiça de agir contra figuras consideradas adversárias do Presidente.

Kent, que tem sido uma voz crítica da guerra, reiterou em recentes declarações públicas apoio às políticas anteriores da Administração Trump, mas manteve as críticas em relação à atual estratégia face ao Irão.

Saída do Centro Nacional de Contraterrorismo

Antigo candidato político com ligações a extremistas de direita, Joe Kent foi confirmado no cargo de que se demitiu em julho passado, por 52 votos a favor e 44 contra. Como diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, era responsável por uma agência encarregada de analisar e detetar ameaças terroristas.

A sua demissão reflete o mal-estar na base de Trump em relação à guerra e mostra que as dúvidas sobre a justificação do uso da força no Irão se estendem, pelo menos, a um membro sénior da Administração republicana de Trump.

A mudança de pessoal num dos principais gabinetes de contraterrorismo do país surge num contexto de preocupações crescentes com o terrorismo no território nacional, na sequência dos ataques ocorridos na semana passada numa sinagoga do Michigan e numa universidade da Virgínia.



SIC Noticias

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