A Festa do Pão está a decorrer este fim de semana em Ílhavo, numa iniciativa que reúne visitantes à procura dos sabores tradicionais da região, em especial os conhecidos folares e as padas de Vale de Ílhavo.
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Para levar estes produtos para casa, é necessário enfrentar filas, e nem sempre há garantia de conseguir, já que a oferta é limitada e a procura elevada.
“É que nós, padeiros, cada vez somos menos. Vão-se reformando. Os filhos não querem ficar, isto é, andar toda a noite a trabalhar. É um bocadinho cansativo”, explica Alzira Vasconcelos, padeira de Vale de Ílhavo.
Apesar disso, o fabrico artesanal mantém-se, com o pão e os folares a serem ainda cozidos em forno a lenha.
O evento surge também como preparação para a época da Páscoa, período em que a produção de folares de Vale de Ílhavo aumenta significativamente.
“Já temos muitas encomendas, principalmente de fábricas e empresas”, refere Lurdes Silva, também padeira.
Nos últimos anos, a produção tem enfrentado dificuldades, nomeadamente na obtenção de matérias-primas.
“Houve anos em que os ovos faltaram. O ano passado foi um desses anos. Este ano não, já tenho os meus ovos todos, por isso não estou muito preocupada”, acrescenta.
Já quanto aos preços, os custos dispararam.
“Há três ou quatro anos, antes da guerra, 30 dúzias custavam 20 euros. Hoje estamos quase nos 80. Os ovos são a matéria mais cara que temos”, explica Alzira Vasconcelos.
Ainda assim, os produtores garantem que não pretendem aumentar mais os preços.
“Está tudo muito caro, mas não vamos aumentar mais nada. As pessoas já estão a sentir dificuldades”, sublinha Lurdes Silva.
À Festa do Pão, em Ílhavo, juntou-se este ano a oferta de queijo da Serra da Estrela, proveniente de Celorico da Beira.
