A responsável pela organização apresenta três conselhos para reforçar a resiliência económica e destaca os impactos negativos do conflito no Médio Oriente, especialmente no estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial.
Valentyn Ogirenko
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) instou, na segunda-feira, os governantes a pensar “no impensável” perante a guerra no Irão e sucessivos choques globais, defendendo respostas rápidas para reforçar crescimento e resiliência económica.
“Se, como todos esperamos, o conflito [no Irão] terminar em breve, tenham a certeza de que pouco tempo depois surgirá um novo choque”, afirmou Kristalina Georgieva num discurso proferido em Tóquio, no qual considerou que a economia global atravessa uma era de turbulência permanente.
A sucessão de acontecimentos recentes – como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia ou a crise inflacionista- demonstra, segundo a responsável, que o mundo enfrenta um ciclo contínuo de perturbações.
“O meu conselho aos responsáveis políticos de todo o mundo neste novo contexto global: pensem no impensável e preparem-se para isso”, sublinhou a diretora-geral do FMI, que apresentou “três conselhos”.
O primeiro passa por “investir em instituições e enquadramentos de políticas sólidas para sustentar economias fortes e um crescimento impulsionado pelo setor privado”, o segundo por utilizar, no momento oportuno, as margens que as políticas fiscal, monetária ou de reservas permitam, e o terceiro por ser “ágil”.
“Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo estreito de Ormuz”
Kristalina Georgieva reconheceu igualmente os efeitos negativos que, para já, a guerra contra o Irão está a provocar, nomeadamente os danos causados em infraestruturas energéticas e o tráfego marítimo praticamente inexistente através do estreito de Ormuz, perante as ameaças da Guarda Revolucionária iraniana.
“Cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e do comércio de gás natural liquefeito (GNL) passa normalmente pelo estreito de Ormuz. Isto inclui quase metade das importações de petróleo da Ásia e aproximadamente um quarto das suas importações de GNL”, salientou a economista búlgara.
Kristalina Georgieva assegurou também que o FMI está “a recolher dados, a analisá-los e a avaliar o possível impacto nos países membros”, acrescentando que será feita uma análise detalhada que será incluída no próximo relatório de perspetivas económicas globais que a instituição publicará nas reuniões de primavera, em Washington, entre 13 e 18 de abril.
