Economia

"Foi o dia mais triste da minha vida": cidadã russa em Portugal recorda início da guerra na Ucrânia

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Guerra Rússia-Ucrânia

Aleksandra Andronova relata que vivia num país onde o ambiente era “sufocante”, dominado pela propaganda e pela repressão política. Garante ter sido bem acolhida em Portugal, perante um povo que a soube “distinguir do regime”.

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Quatro anos após o início da guerra na Ucrânia, Aleksandra Andronova, cidadã russa a viver em Portugal, afirma que deixar a Rússia foi uma decisão inevitável, tendo em conta que vivia num país onde o ambiente era “sufocante”, dominado pela propaganda e pela repressão política.

Em entrevista à SIC Notícias, a cidadã que se mudou da Rússia para Portugal explica que o início da guerra marcou profundamente a sua vida.

“Aconteceu no dia do meu aniversário. Foi o dia mais triste da minha vida”, recorda, apontando que a invasão da Ucrânia foi o fator decisivo para abandonar o país que a viu nascer.

“Percebi que se ficasse ia morrer, ou fisicamente ou mesmo enquanto pessoa”.

A atual moradora da cidade de Braga aponta a ausência de liberdade de expressão como uma das principais razões para a saída.

“Na Rússia tu não podes dizer que estás a não concordar. Tu podes concordar ou calar a boca”, afirmou, denunciando a constante presença da propaganda estatal nos meios de comunicação, nas escolas e no espaço público.

Apesar de viver agora em Portugal com o marido e os filhos, que frequentam a escola em Braga, mantém familiares na Rússia, incluindo os pais e a avó, mas o contacto tornou-se difícil.

“Existe um abismo entre gerações. Eles acreditam no que veem na televisão e não confiam noutras versões”, explicou.

Cidadãos russos são “vítimas de propaganda”

Para a antiga habitante do país liderado por Vladimir Putin, muitos cidadãos russos são “vítimas diretas da propaganda” promovida pelo regime.

Relativamente ao futuro do conflito, não acredita num desfecho rápido e define outras prioridades.

“É mais importante acabar com o regime, com o totalitarismo, com a ditadura. E o fim da guerra não vai garantir o fim da ditadura”, atirou.

Alexandra admite sentir vergonha e culpa pela guerra, apesar de não ter responsabilidade direta.

“Com o fim da guerra, vou sentir menos culpa, vou chorar menos”, confessou.

Aleksandra com “experiência maravilhosa” em Portugal

Quanto à receção em Portugal, garante ter sido bem acolhida. “Nunca senti hostilidade. Os portugueses sabem distinguir o povo do regime”, afirmou, sublinhando o caráter solidário do país.

“Aqui veem-me como pessoa, não como cidadã russa. A minha experiência tem sido maravilhosa”, refletiu.

A guerra na Ucrânia, iniciada pela invasão militar russa em grande escala, completa esta terça-feira quatro anos. O conflito entra no quinto ano sem qualquer acordo de cessar-fogo ou perspetiva concreta de paz.



SIC Noticias

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