Este é o melhor resultado de sempre da petrolífera, impulsionado pela produção de petróleo e gás no Brasil e pela comercialização de gás natural.
Jon Nazca
A Galp registou um resultado líquido recorde de 1,15 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 20% face ao ano anterior, anunciou esta segunda-feira a empresa.
O desempenho foi impulsionado pela produção de petróleo e gás no Brasil e pela comercialização de gás natural, apesar da descida do petróleo e do dólar e da paragem programada para manutenção da refinaria de Sines.
“A Galp obteve em 2025 um resultado líquido ajustado de 1,15 mil milhões de euros, o maior de sempre, com o aumento da produção de petróleo e gás no Brasil e o aprovisionamento & ‘trading’ de gás natural a mitigarem o efeito combinado das desvalorizações do crude e do dólar, bem como o impacto de uma paragem programada da refinaria de Sines”, refere a empresa em comunicado.
Os resultados líquidos segundo as normas contabilísticas internacionais (IFRS), que refletem o lucro contabilístico da empresa, aumentaram 8% face a 2024, para 1,12 mil milhões de euros.
“O resultado ajustado a custo de substituição (RCA) antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (EBITDA) do ano foi de 3,04 mil milhões de euros, uma diminuição de 8% em relação ao ano anterior que reflete o impacto do contexto de mercado, com a descida das cotações médias do brent, de 80,8 dólares por barril em 2024, para 69,1 dólares em 2025”, explica a petrolífera.
Mais de 80% do resultado operacional teve origem nas atividades internacionais e mais de metade foi gerado no Brasil.
“Num contexto internacional adverso e volátil, assegurámos uma performance operacional forte e transversal a todas as áreas de negócio, o que reflete bem a qualidade e resiliência dos nossos ativos”, afirma a co-presidente executiva da Galp Maria João Carioca, citada no mesmo comunicado.
“Ao mesmo tempo, prosseguimos a execução disciplinada dos nossos projetos estruturantes e parcerias que posicionam a Galp para um futuro de crescimento”, acrescentou a também administradora financeira da petrolífera.
No setor Upstream – exploração e produção de petróleo e gás -, a Galp beneficiou da melhoria do desempenho das operações no Brasil e da entrada em produção do projeto Bacalhau no último trimestre do ano, que permitiram que a produção média de petróleo e gás natural – que em 2024 se cifrara em 109 mil barris diários – tenha aumentado para 113 mil barris no quarto trimestre de 2025.
No segmento Industrial & Midstream (refinação, transporte e armazenamento de petróleo e gás) o acesso a cargas de gás natural liquefeito (GNL) provenientes dos EUA via contratos de longo prazo com a Venture Global, permitiu aumentar 48% os volumes de gás natural comercializados em termos trimestrais homólogos, e 43% em evolução anual, limitando o efeito da paragem para manutenção da refinaria de Sines.
Nas restantes áreas de operação, a Galp informa que registou resultados recorde no segmento Comercial, com a melhoria das condições no mercado espanhol e o reforço da contribuição dos produtos e serviços de conveniência e soluções de energia.
O segmento das Renováveis refere que “operou, mais uma vez, num cenário de preços da energia solar pressionados, prosseguindo a sua estratégia de otimização das atividades de geração, através da limitação voluntária da produção, e de fontes de receitas adicionais provenientes da prestação de serviços de sistema de rede”.
Em 2025, o investimento total da empresa foi de 1,1 mil milhões de euros, abaixo dos 1,3 mil milhões de 2024, devido à menor necessidade de capital nos projetos de Upstream, após a entrega do projeto do Bacalhau no Brasil.
Em Portugal, o investimento totalizou 420 milhões de euros, um valor inferior aos 372 milhões de euros aplicados no país no ano anterior.
“O encaixe com a venda de ativos em Moçambique e Angola traduziu-se num investimento líquido de 95 milhões de euros”, detalha a empresa.
Já o endividamento líquido aumentou em relação ao final do ano passado, para 1,3 mil milhões de euros, após o pagamento de dividendos a minoritários em empresas do grupo e a conclusão de um programa de recompra de ações de 78 milhões de euros.
