Economia

Governo gastou 426 milhões "em ideologia de género" e quer dar 500 euros "a quem perdeu tudo"? A SIC Verifica

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Nas redes sociais faz-se um paralelismo entre o dinheiro gasto em “ideologia de género” e o montante que o Governo liderado por Luís Montenegro está disposto a gastar para ajudar quem “perdeu tudo” com a passagem da tempestade Kristin. A SIC Verifica.

MIGUEL A. LOPES

Será que os Governos do PS e do PSD têm assim tantas diferenças? No Facebook dá-se a entender que não, afirmando que, afinal, “a esquerda do PS e a esquerda do PSD/CDS” não se “distinguem nos seus temas e prioridades”.

Para demonstrar as diferenças “cada vez” menores, é partilhada uma fotografia em que surge o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, juntamente com a seguinte frase: “são 426 milhões para a ideologia de género… e 500 paus para quem perdeu tudo na vida…”

A afirmação tem fundamento?

Comecemos pelos 426 milhões de euros. Estes estão patentes na Avaliação Prévia de Impacto de Género e dizem respeito ao Orçamento do Estado para 2024, aprovado ainda durante a governação de António Costa, em 2023, quando o Parlamento detinha maioria socialista.

Para se chegar a este valor, foram questionadas 150 entidades que identificaram 564 medidas assentes em “quatro desafios estratégicos”. Nestes quatro desafios, fala-se de “combater alterações climáticas”, “responder ao desafio demográfico”, “construir a sociedade digital” e “reduzir as desigualdades”.

Ora, além de não estar aqui em causa a “ideologia de género”, mas sim a “redução de desigualdades” no âmbito da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação (onde se inclui, por exemplo, o combate à violência contra mulheres ou violência doméstica), também este montante não diz respeito a uma decisão do Governo de Luís Montenegro.

Quanto aos 500 euros indicados na publicação, também aqui há informação escondida. Depois da tempestade Kristin, milhares de famílias e empresas ficaram com casas, negócios e rendimentos afetados, levando o Governo a anunciar um pacote excecional de apoios.

Há um apoio social direto para quem ficou em situação de carência ou perdeu rendimentos que pode ir até aos 1.074 euros por agregado familiar ou 537 euros por indivíduo. Este é avaliado pela Segurança Social e deverá chegar até ao final do mês.

Mas os apoios não se ficam por aqui: as famílias afetadas pela depressão Kristin beneficiam também de moratórias no crédito à habitação e quem ficou com a casa danificada pode pedir também um apoio de até 10 mil euros para obras de reparação.

O pacote global de 2,5 mil milhões de euros anunciado a 1 de fevereiro inclui apoios à reconstrução de habitações e apoios de urgência ao rendimento das famílias.

A SIC Verifica que é…

Como ficou claro, o montante mínimo de apoio a que se pode recorrer é de 537 euros, sendo que este diz respeito a uma única pessoa. Em caso de agregado familiar, o valor passa a 1.074 euros. Mas, além deste apoio, há outros em função das necessidades. Quanto aos 426 milhões de euros, também aqui a informação está distorcida. Este valor remonta ao Executivo de António Costa e não está em causa a “ideologia de género”, mas sim a “redução de desigualdades” no âmbito da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação (onde se inclui, por exemplo, o combate à violência contra mulheres ou violência doméstica).

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