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Governo já decidiu localização das novas pistas do aeroporto (e vai ficar mais caro)


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A existência de uma ribeira junto ao local onde vai ser construída a pista 2, e que atravessa o local das futuras pistas 3 e 4, vai obrigar a desviar a água, encarecendo a obra.

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O Governo já definiu a localização das pistas do futuro Aeroporto de Lisboa e impôs limites à construção em Alcochete e nos concelhos mais próximos, para evitar alterações que comprometam ou tornem o projeto mais caro.

Inicialmente estava previsto que fossem mais à esquerda do Campo de Tiro de Alcochete, mas as pistas foram desviadas para o lado mais à direita nas freguesias de Santo Estevão e Canha. Ficam assim paralelas à nacional 10 e à A13.

“O aeroporto pode-se deslocar ainda mais para cá, para o lado poente, e então, nesse caso, tem características muito mais favoráveis, não só em termos hidrogeológicos, como em termos geotécnicos, como em termos da própria proteção dos aquíferos e das linhas de água que estão ali assim envolvidas”, indica o professor do Instituto Superior Técnico Jorge Paulino, em declarações à SIC.

Com a quantidade de chuva que caiu nas últimas semanas, a água acabou por fazer transbordar uma pequena barragem existente no Campo de Tiro. A superficie quase plana tem uma ribeira junto ao local onde vai ser construida a pista 2 e que atravessa o local das futuras pistas 3 e 4. Vai ser preciso desviar a água para permitir a construção do aeroporto, por isso vai também ficar mais caro.

“Em termos de engenharia, não em termos políticos, podemos fazer o aeroporto onde quisermos. Se quiseremos fazer o aeroporto no cimo da serra de Sintrafaz-se, se quisermos fazer o aeroporto no meio do Tejo faz-se.. Em termos de engenharia há soluções para isso”, aponta o professor do Inistituto Superior Técnico Jorge Paulino, dando como exemplos os aeroportos de Macau e Hong Kong.

O Governo publicou a localização final das pistas e impôs limitações nos concelhos abrangidos como a construção, loteamentos, obras de urbanização, ampliação ou alteração de edifícios, bem como trabalhos de remodelação de terrenos. A medida está em vigor durante dois anos.

Por baixo do Campo de Tiro de Alcochete está uma das maiores reservas de água doce da Península Ibérica. Vários especialistas admitem que o aeroporto pode contaminar as águas e colocar em risco os recursos hídricos da região.

“É evidente que tudo aquilo que for a ocupar à superfície todos estes espaços que funcionam como uma reserva de armazenamento, esse grande lençol freático que está lá em baixo e que, contém boas reservas de água doce, ao fim ao cabo está a afetar Mas quando se constrói afeta sempre qualquer coisa. Há sempre um impacto relacionado com isso”, lembra Jorge Paulino.

O estudo de impacto ambiental já foi pedido e vai demorar um ano a ser feito.



SIC Noticias

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