Portugal

"Grande sensibilidade". Igreja contacta vítimas que não serão compensadas

As alegadas vítimas de abusos sexuais cujo pedido de compensação monetária não foi aceite, já começaram a ser contactadas pela Igreja Católica portuguesa. Os contactos terão sido iniciados via chamada telefónica de forma a serem informadas que, após um processo de análise, o seu pedido tinha sido rejeitado.

A notícia é avançada pelo Observador, que dá conta de que nos próximos dias, todas as pessoas que fizeram um pedido de compensação financeira no âmbito do mecanismo lançado em abril de 2024 pelos bispos portugueses, serão notificadas por escrito acerca do desfecho dos casos  – quer de forma favorável ou não – com informações sobre a decisão, a justificação, e o valor a receber, caso se aplique.  Fonte oficial da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deu conta ao mesmo meio de que “todas as pessoas que apresentaram pedido serão notificadas da decisão. Em algumas situações de não elegibilidade e numa lógica de proximidade e humanização, têm vindo a ser feitos contactos telefónicos prévios para escutar e acolher as vítimas”.

O gabinete do agrupamento dos bispos católicos portugueses referiu ainda tratar-se de “um processo de grande sensibilidade”, que “exige respeito absoluto pelas vítimas”. “A CEP não entrará em pormenores adicionais, tendo em conta a confidencialidade do processo e a privacidade das pessoas envolvidas”, acrescentaram.

Recorde-se que até ao final de 2025, a CEP recebeu um total de 95 pedidos de compensação, 84 dos quais foram considerados e analisados com vista a uma indemnização.

A semana passada, o conselho permanente da Conferência Episcopal dizia que a Igreja Católica portuguesa já tinha definido as compensações financeiras a pagar às vítimas . “Sabemos que nenhuma compensação apaga a dor vivida, mas este passo expressa o compromisso que sempre assumimos de reconhecer o sofrimento causado e que pretende contribuir para a reparação possível de quem sofreu tão duras vivências, colocando as vítimas no centro da nossa prioridade”, referiu em comunicado o conselho permanente da CEP.

Na segunda-feira, o Papa Leão XIV pediu hoje que as vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica sejam ouvidas, que a dor causada seja reconhecida e ainda que seja criada uma cultura de cuidado. “Trata-se de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura de cuidado, na qual a proteção de menores e pessoas em situação de vulnerabilidade não seja considerada uma obrigação imposta de fora, mas uma expressão natural da fé”, declarou o Papa durante uma audiência com a Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores.

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