O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje, em Beirute, que não existe uma solução militar para o atual conflito entre o grupo xiita Hezbollah e Israel e apelou ao diálogo e às vias diplomáticas disponíveis.
WAEL HAMZEH
“A minha mensagem às partes beligerantes é clara: parem os confrontos, parem os bombardeamentos, não há solução militar. Apenas diplomacia, diálogo e a aplicação integral da Carta das Nações Unidas e das resoluções do Conselho de Segurança”, afirmou, numa conferência de imprensa em Beirute, citada pela agência Efe.
António Guterres recordou que existem diversas vias diplomáticas à disposição das partes, entre as quais a coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert.
“Estamos a empenhar todos os esforços para conseguir uma desescalada imediata e a cessação das hostilidades”, acrescentou, afirmando que a ONU está “em contacto permanente com todos os intervenientes, a fim de reunir as partes à mesa das negociações”.
Dirigindo-se à comunidade internacional, apelou ao reforço do compromisso.
“Apoiem o Estado libanês e as forças armadas libanesas para lhes garantir as capacidades e os recursos necessários”, pediu.
Guterres em Beirute para “visita de solidariedade”
Guterres, que chegou na sexta-feira a Beirute para uma “visita de solidariedade”, reuniu-se, este sábado, com o chefe do Estado-Maior do exército, Rodolphe Haykal, informou a instituição militar.
As discussões centraram-se na necessidade de respeitar o cessar-fogo acordado no final de 2024 entre Israel e o Hezbollah, bem como na implementação, por parte do exército, do seu plano de desarmamento do grupo xiita.
Na sexta-feira, disparos israelitas atingiram um quartel-general das forças de paz no sul do país, segundo a Agência Nacional de Informação (ANI, oficial).
A porta-voz da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) confirmou o incidente, causado “provavelmente por disparos de artilharia pesada”. Na semana passada, três capacetes azuis ganenses ficaram feridos por disparos, segundo a Finul.
“Os ataques contra os capacetes azuis e as suas posições são totalmente inaceitáveis e têm de cessar. Constituem uma violação do direito internacional e podem ser considerados crimes de guerra”, afirmou António Guterres.
“Os civis devem ser respeitados e protegidos em todas as circunstâncias, e as infraestruturas civis devem ser poupadas”, recordou.
Israel apelou aos habitantes de várias zonas do país para as desocuparem.
“Os avisos de evacuação emitidos, quando muitas populações vulneráveis se encontram nas zonas afetadas, não garantem segurança suficiente aos civis”, o que “constitui inevitavelmente uma violação do direito internacional humanitário”, salientou o chefe da ONU.
