Cultura

"Hamnet" leva mais visitantes aos lugares ligados à vida de Shakespeare


Olhares pelo Mundo

O filme “Hamnet” está a ter um impacto direto no turismo cultural em Stratford-upon-Avon, com um aumento significativo de visitantes aos locais ligados à vida de William Shakespeare.

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Desde a estreia de “Hamnet”, em janeiro, o número de visitantes aos espaços geridos pelo Shakespeare Birthplace Trust cresceu entre 15 e 20%, uma tendência que deverá manter-se ao longo do ano, impulsionada pelo reconhecimento internacional da obra.

O impacto sente-se sobretudo na casa de campo de Anne Hathaway, mulher de Shakespeare, um dos locais mais procurados por quem chega a Stratford-upon-Avon, no centro de Inglaterra, a sul de Birmingham.

Segundo Richard Paterson, diretor de operações do Shakespeare Birthplace Trust, os visitantes querem conhecer de perto os espaços e a paisagem de Stratford-upon-Avon, que ajudam a compreender o quotidiano familiar e as possíveis fontes de inspiração do dramaturgo.

O filme “Hamnet” despertou uma nova curiosidade pelos lugares associados a Shakespeare, incluindo a casa Natal e o local onde o dramaturgo morreu, em 1616. Habitualmente, estes espaços recebem cerca de 250 mil visitantes por ano, vindos de vários países.

Realizado por Chloé Zhao, o filme baseia-se no romance homónimo de 2020, da escritora irlandesa Maggie O’Farrell. A obra recria de forma ficcionada a relação entre Shakespeare e Anne Hathaway, também conhecida por Agnes, e o luto do casal após a morte do filho Hamnet, aos 11 anos. A narrativa é contada sobretudo a partir do ponto de vista de Anne, sublinhando a dimensão emocional da história.

“Shakespeare permanece enigmático”

O reconhecimento da crítica e do público tem sido decisivo para este interesse renovado. Os papéis principais dos filmes são desempenhados por Paul Mescal e Jessie Buckley.

“Hamnet” ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático e Jessie Buckley de Melhor Atriz na mesma categoria. O filme venceu dois prémios BAFTA, o de Melhor Atriz e Melhor Filme Britânico.

Nos Óscares, o filme conta com oito nomeações, incluindo Melhor Atriz, Melhor Filme e Melhor Realização, para Chloé Zhao, reforçando a sua projeção internacional e o efeito duradouro no turismo cultural na região.

Para a investigadora Charlotte Scott, do Shakespeare Birthplace Trust, o fascínio reside no mistério em torno do autor: “Shakespeare escreve sobre a humanidade, mas permanece enigmático. O filme abre uma porta emocional para perceber onde está o coração de Shakespeare, e fá-lo a partir da perspetiva de Anne.”

A relação entre “Hamnet” e “Hamlet”

A ligação entre “Hamnet” e “Hamlet” é central à narrativa e à leitura emocional da obra. O filme conta a história do casal e do luto pela morte do filho Hamnet, em 1596, um acontecimento historicamente documentado e amplamente associado à criação da tragédia “Hamlet”, escrita alguns anos mais tarde.

Na época, os nomes Hamnet e Hamlet eram usados de forma intercambiável, o que reforça a interpretação de que a peça nasce do luto do autor. A tragédia “Hamlet” explora precisamente esse sofrimento íntimo, mostrando como a perda do filho se transforma em inspiração criativa, dando origem a uma das obras mais influentes da literatura mundial.



SIC Noticias

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