Economia

Horário de verão chega este domingo: a origem da divisão da hora em 60 minutos

[

País

Na madrugada de domingo, Portugal volta a acertar os relógios para a hora de verão. Um gesto que se repete todos os anos e que resulta de decisões políticas recentes, mas também de um legado que atravessa milénios. Mais do que uma medida de gestão energética, a forma como medimos o tempo reflete uma herança antiga que continua a ligar passado, presente e futuro.

Relógio no topo da torre do Palazzo d’Accursio, edifício do final do século XIII onde funciona a Câmara Municipal de Bolonha, Itália

manuel cazzaniga

Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, os relógios vão avançar uma hora: quando for 01:00 passa a ser 02:00. Já na Região Autónoma dos Açores, a alteração ocorre mais cedo, à meia-noite, passando de 00:00 para 01:00.

Com esta mudança, os dias passam a ter mais luz ao final da tarde e início da noite, o que permite prolongar atividades ao ar livre e reduzir a necessidade de iluminação artificial ao fim do dia. O objetivo está ligado à melhor utilização da luz solar, uma ideia que ganhou força sobretudo no século XX, no contexto da necessidade de poupança energética.

O atual regime de mudança da hora está enquadrado por uma diretiva europeia de 2000, que harmoniza a mudança da hora em todos os Estados-membros e determina que os relógios sejam adiantados no último domingo de março e atrasados no último domingo de outubro.

O tema tem sido alvo de debate na União Europeia. Desde 2018, discute-se a possibilidade de acabar com esta prática, depois de uma consulta pública ter indicado que mais de 80% dos participantes eram favoráveis ao seu fim. No entanto, não houve consenso entre os Estados-membros e o sistema mantém-se em vigor.

Mas se a mudança da hora é uma decisão relativamente recente, a forma como medimos o tempo em horas, minutos e segundos tem raízes muito antigas.

Por que razão uma hora tem 60 minutos?

Segundo uma análise divulgada pela BBC, a divisão do tempo em horas, minutos e segundos resulta de uma herança cultural com milhares de anos, que remonta às civilizações da antiga Mesopotâmia, que corresponde atualmente na sua maior parte ao Iraque.

Uma hora tem 60 minutos devido à herança cultural dos povos sumérios e babilónios, que habitaram essa região há cerca de 5.000 a 6.000 anos. Ao contrário do sistema decimal que usamos atualmente, estas civilizações utilizavam um sistema sexagesimal, baseado no número 60.

Várias teorias tentam explicar esta escolha. Uma das mais conhecidas está ligada à contagem com as mãos: os sumérios usavam o polegar para contar as 12 falanges dos outros quatro dedos de uma mão. Cada ciclo de 12 era registado com um dedo da outra mão e, assim, usando os cinco dedos dessa segunda mão era possível contar até 60.

Além disso, do ponto de vista matemático, o número 60 é extremamente prático, pois é divisível por muitos números (como 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20 e 30), facilitando cálculos e divisões sem recurso a frações complexas.

Este sistema revelou-se particularmente útil na astronomia. Os babilónios dividiram o círculo em 360 graus (um múltiplo de 60), e essa lógica acabou por influenciar também a forma como medimos o tempo.

Mais tarde, astrónomos gregos ajudaram a consolidar estas divisões, que continuam na base do sistema de medição do tempo que usamos hoje.

ilbusca

E porque é que o dia se divide em 24 horas?

O sistema de 24 horas tem origem no Antigo Egito, onde o dia foi dividido em 12 horas de luz e 12 de escuridão, numa divisão baseada na observação dos ciclos naturais e dos astros.

A combinação desta divisão com o sistema sexagesimal deu origem à estrutura que ainda hoje utilizamos: 24 horas por dia, cada hora com 60 minutos e cada minuto com 60 segundos.

Ao longo dos séculos, esta forma de medir o tempo foi sendo transmitida e aperfeiçoada, através de relógios de sol, de água, mecânicos e, mais recentemente, relógios atómicos extremamente precisos.

Contudo, esta evolução nem sempre foi consensual. Exemplo disso foi o que aconteceu durante a Revolução Francesa, período em que foi introduzido o tempo decimal. A experiência acabou por durar cerca de um ano e meio, foi abandonada por falta de adesão e por ser pouco funcional.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *