O Chega vai chamar ao Parlamento o governador do Banco de Portugal (BdP) para explicar a reforma de Mário Centeno com “benefícios escandalosos”, anunciou, este domingo, o presidente do partido, que disse ter existido um “acordo escondido”.
ANTÃNIO COTRIM
Mário Centeno, antigo governador do BdP, “chegou a acordo para se reformar aos 59, uma reforma antecipada com benefícios escandalosos do ponto de vista financeiro e do ponto de vista da remuneração paga mensal, próxima do seu salário de 17 a 20 mil euros todos os meses”, disse André Ventura, em conferência de imprensa, na sede do partido, em Lisboa.
Para o líder do Chega, esta situação é uma “imoralidade absoluta”, com o responsável a defender que “não é aceitável que alguém com capacidade, ainda no uso das suas faculdades, no país em que se exige que as pessoas trabalhem até aos 67 anos, alguns com reformas miseráveis, possa fazer um acordo com uma instituição pública, com dinheiro público, em que, aos 59 anos, se passa a reformar com valores desta ordem de grandeza e desta natureza”.
Em causa está uma notícia publicada pelo Jornal Eco, esta sexta-feira, de que Mário Centeno iria deixar o Banco de Portugal como consultor e passar à reforma, a receber pensão completa.
Ventura considerou ter existido, nesta situação, um “acordo escondido, provavelmente ilegal, ou pelo menos altamente suspeito e, de certeza, incrivelmente pouco ético”.
Perante as notícias sobre a reforma de Mário Centeno, o Chega decidiu então, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, fazer um requerimento para ouvir o atual governador do BdP, Álvaro Santos Pereira, para que dê explicações sobre o caso.
Para o presidente do Chega, este acordo é uma “prova de que estes conluios entre política e dinheiro são circuitos que funcionam sempre para prejudicar os contribuintes”.~
Vetura fala em censura após polémica com Futurália
Ventura lamentou também os “ataques e falta de sentido democrático” das associações e universidades que criticaram a presença do partido na Futurália, dizendo que houve uma “tentativa de censura”.
“Ver instituições como o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, ou a Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Nova Lisboa, dizerem e pedirem expressamente a uma organização que censure, que limite ou que retire, em último caso, uma bancada política de uma feira com jovens, mostra bem que a liberdade chegou a Portugal, mas não chegou a estas instituições”, disse André Ventura, em conferência de imprensa, na sede do partido, em Lisboa.
O líder do Chega apontou que o partido participa na Futurália há muitos anos, com a sua presença, documentos políticos, trabalho de proximidade, “como os outros partidos participam, no mesmo direito, na mesma proporção, no âmbito da mesma autorização e do mesmo espírito que todos os outros partidos parlamentares portugueses”.
Ventura salientou ainda que outros partidos, como o PS, PCP e PSD, tinham bancas onde “distribuíam bandeiras LGBT, faziam apelo a despenalização das drogas e prostituição”, mensagens que também seriam vistas por crianças do sétimo ao nono ano.
Defendeu também que o Chega “representa hoje mais de um milhão e meio de eleitores”, expressão de pessoas que “não pode ser ignorada ou silenciada”, reiterando que “merecem expressar a sua voz como todos os outros”.
Caso Bruno Mascarenhas
“O partido não protege ninguém, como eu sempre mostrei. O partido, quando recebe denúncias, faz imediatamente investigações, independentemente a quem seja”, garantiu.
Ventura, apesar de reconhecer que “nenhum líder” pode controlar “os milhares” de pessoas eleitas para Juntas e Câmaras, assegurou que o partido, “sem complacência ou distinções”, tomará medidas, se necessário.
