O secretário de Estado das Florestas defendeu hoje que é necessária uma renovação geracional dos pastores, por forma a garantir mais efetivo de gado que ajude na prevenção dos incêndios rurais e na preservação da biodiversidade.
“É preciso garantir que haja por parte de novos pastores uma renovação geracional, que é oportuna e importante para haver mais gado para reduzir as zonas de mato para proteção [contra incêndios] dos aglomerados populacionais e das florestas (…) Ao mesmo tempo, [para] a criação de riqueza, como é caso da carne ou leite”, indicou Rui Ladeira, em Miranda do Douro, distrito de Bragança.
O governante acrescentou que “não há uma forma anual de fazer a gestão de matos de modo mecânico ou modo manual e, em certos contextos, esta gestão terá de ser feita através do pastoreio”.
“Com recurso ao pastoreio estamos a fazer uma melhor gestão e a diminuir riscos, e garantir que se cria valor e se protege”, vincou.
Rui Ladeira falava hoje em Miranda do Douro, no distrito de Bragança, no decurso do colóquio “O papel da pastorícia extensiva e da biodiversidade – será o pastor o guardião do ecossistema?”, organizado pela Associação de Criadores de Ovinos e Raça Churra Mirandesa e que juntou outras organizações de raças autóctones do país.
Na segunda-feira, foi publicado em Diário da República um diploma que estabelece o regime de apoio de novos produtores pecuários e do apoio à conversão de matos em novas pastagens, integrados no programa de apoio à redução da carga combustível através do pastoreio.
O diploma prevê que o Governo apoie com um prémio de 30.000 euros a instalação de novos produtores pecuários, sendo a dotação total deste apoio de 2,5 milhões de euros.
“O apoio assume a forma de subvenção não reembolsável atribuída por cinco anos. O montante do apoio […] corresponde a um prémio à instalação no valor global de 30.000 euros”, lê-se na portaria.
Nos primeiros três anos, o apoio é de 8.400 euros, passando a 2.400 euros anuais nos restantes dois anos.
A isto acresce uma ajuda à aquisição de bovinos, ovinos e caprinos, até um limite máximo, definido em aviso do IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas.
Entre produtores pecuários e pastores das raças autóctones, uns afirmaram hoje à Lusa que o valor é pouco para quem quer começar de raiz e outros mostram-se expectantes quanto aos resultados práticos deste diploma.
Carlos Cardoso, um criador de Ovinos de Raça Churra Mirandesa no concelho de Mogadouro, disse que quanto maior for o apoio, melhor é para quem tem de começar do zero.
“Temos de comprar animais, montar um estábulo, ter terrenos. E para quem começa do zero este apoio [30.000 euros] é muito insuficiente. Há, no entanto, pessoas que podem começar através de uma pequena exploração de família que já detinham e assim transformá-la. Para começar do zero é bastante insuficiente”, vincou.
Já Tiago Perleiro, da Associação dos Criadores Ovinos de Raça Merina, com sede em Évora, começou por dizer que “ainda não há capacidade para renovar a mão de obra nas explorações agrícolas de pecuária extensiva”.
“Esta medida… nós temos de lhe dar os parabéns, [por ser] mais uma medida que pode ajudar à implementação de novos projetos. Para já apenas saiu uma portaria e por esse motivo estamos expectantes em relação à sua implementação”, disse o dirigente.
À Lusa, Maria José Costa, da Direção-Geral de Agricultura e Veterinária (DGAV), avançou hoje que nos últimos 10 anos o Governo investiu 35 milhões de euros nas raças autóctones de pequenos ruminantes, que têm um efetivo atual de 168.698 cabeças e um total de 16 raças de ovinos e seis de caprinos em todo o país.
