O número de casos de infeções sexualmente transmissíveis (IST) está a subir em Portugal, assim como em toda a Europa. Entre 2019 e 2023, os casos de sífilis subiram 140%. As autoridades de saúde justificam o aumento pelo reforço do rastreio, mas apontam também falhas na educação sexual dos jovens e na literacia em saúde sexual dos mais velhos.
Aaron Favila/ap
No Hospital de São José, em Lisboa, o número de consultas para despistar doenças sexualmente transmissíveis passou de “pouco menos de duas mil para quase seis mil por ano” entre 2018 e 2025, segundo relata a médica Cândida Fernandes ao Jornal de Notícias (JN).
Ao JN, autoridades de saúde pedem cautela na análise da questão, uma vez que existem melhorias e que o aumento dos casos pode ser explicado pelo reforço no rastreio.
“O aumento de consultas reflete-se no automento acentuado de IST bacterianas diagnosticadas. A mais frequente é a gonorreia, seguida da clamídia e da sífilis” afirma Cândida Fernandes.
A Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto, esclarece que não se pode descartar “o contributo das mudanças comportamentais” como as “alterações nos padrões de relacionamento, a utilização inconsciente de preservativo ou a existência de múltiplos parceiros“, enumerou Joana Vaz Cardoso, médica de doenças infeciosas da clínica.
Também a Unidade Local de Saúde de Coimbra regista aumentos entre 20% e 30%, enquanto noutras unidades há indicação de crescimento sustentado dos casos.
A tendência crescente é registada por toda a Europa. Em 2024, o Reino Unido registou uma subida de IST nas pessoas com 65 ou mais anos. O cenário foi semelhante em França e na Dinamarca, de acordo com o canal de notícias Euronews.
Apesar da maior incidência em adultos jovens, há registo de infeções em faixas etárias mais elevadas. Os especialistas destacam ainda a importância da educação sexual quer para o público mais jovem quer para pessoas em idades mais avançadas.
