Em declarações por telefone à Lusa no âmbito do 43.º aniversário do Instituto de Apoio à Criança (IAC) celebrado hoje, Anabela Reis, da área de comunicação e projetos da instituição referiu que muitos dos pedidos chegam de adolescentes entre os 14 e 18 anos por via telefónica e pelo Whatsapp a pedir apoio por causa “da pressão na escola com as notas”, “angústias nas escolhas da área profissional no 9.º e 10.º anos”, “sentimentos de solidão”, “ideação suicida” e ‘bulling’.
Anabela Reis explicou que muitos dos adolescentes recorrem à linha telefónica e que a tendência crescente até tem sido por via Whatsapp, porque “têm vergonha de pedir ajuda aos pais”.
Há um crescimento de pedidos de ajuda por causa de um “elevado sofrimento psicológico”, muitas vezes relacionado com a pressão das notas e a pressão das redes sociais, porque os jovens não se sentem incluídos, acrescentou.
Outro dado preocupante que Anabela Reis destacou são os comportamentos auto lesivos que estão a aumentar em adolescentes cada vez mais jovens, ou seja, em anos anteriores verificava-se isso em adolescentes a partir dos 15 anos, atualmente estão também a aparecer crianças com 12 e 13 anos a ter comportamento auto lesivos.
Além da linha telefónica, o IAC também recebe pedidos de apoio jurídico e de instituições parceiras por parte das famílias.
A maioria dos pedidos está relacionada com saúde emocional, violência, vulnerabilidade social e conflitos familiares.
“Em 2025, as diferentes respostas de apoio do instituto registaram quase 3.500 pedidos de apoio, refletindo a crescente procura de orientação e acompanhamento especializado”, lê-se num comunicado de imprensa.
Face à evolução das necessidades das crianças e das famílias, o Instituto de Apoio à Criança vai arrancar este ano com uma nova forma de comunicação dirigida diretamente a crianças e jovens, reforçando a missão do Instituto de promover a participação das crianças e de criar espaços de informação, partilha e reflexão sobre temas que marcam o seu quotidiano.
Em paralelo, e em resposta às tempestades, designadamente a tempestade Kristin, que afetaram a região centro de Portugal, o Instituto de Apoio à Criança criou um novo serviço de apoio psicológico online em situação de crise, destinado a garantir uma resposta especializada e rápida a crianças, jovens e famílias em momentos de maior fragilidade emocional nesta região.
“Toda a criança tem direito a ser protegida, não podemos esquecer que uma infância roubada já não se recupera”, declara Manuel Ataíde Coutinho, presidente do IAC, na nota de imprensa.
Para assinalar 43 anos de atividade, o Instituto de Apoio à Criança reafirma o compromisso de continuar a desenvolver respostas ajustadas às necessidades das crianças e das comunidades, promovendo a proteção, a participação e o bem-estar das novas gerações.
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