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A informação foi divulgada este domingo pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, numa entrevista à estação norte-americana CBS, na qual admitiu um possível encontro na quinta-feira, em Genebra.
Vahid Salemi // AP
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano admitiu este domingo reunir-se na quinta-feira com a delegação norte-americana em Genebra para discutir o programa nuclear, foco das divergências entre os dois países.
“Acredito que quando nos encontrarmos, provavelmente nesta quinta-feira em Genebra, poderemos trabalhar nesses pontos, preparar um bom texto e chegar rapidamente a um acordo”, disse Abbas Araghchi numa entrevista à estação norte-americana CBS.
As declarações surgiram num momento em que os Estados Unidos admitem atacar o Irão.
Araghchi destacou na sexta-feira que Washington e Teerão estão a discutir “como garantir que o programa nuclear do Irão, incluindo o enriquecimento, seja pacífico e permaneça pacífico para sempre e, em troca, o Irão obtenha a retirada das sanções”.
O ministro negou que haja um ultimato de Washington sobre a contraproposta do Irão, mas insistiu que o que ambas as partes querem é um acordo rápido em que os dois países saíssem a ganhar.
Araghchi disse também que em dois ou três dias Teerão ia apresentar aos Estados Unidos um projeto de acordo sobre as ambições nucleares iranianas.
Os EUA aceleraram o destacamento militar no Médio Oriente, mesmo depois de Washington e Teerão terem informado sobre progressos durante as conversações na Suíça sobre o programa de enriquecimento nuclear do Irão.
Por seu lado, o Irão advertiu no sábado a ONU que qualquer base dos Estados Unidos a partir da qual fossem lançados ataques ia ser considerada um alvo legítimo.
Teerão e Washington realizaram na terça-feira, em Genebra, uma segunda ronda de conversações sob a mediação do sultanato de Omã.
As partes concordaram em prosseguir as discussões, embora sublinhando que estão longe de aproximar posições.
As discussões foram retomadas em 06 de fevereiro em Omã, as primeiras desde a guerra de junho, desencadeada por um ataque israelita contra o Irão, apoiado pelos Estados Unidos, que bombardearam instalações nucleares iranianas.
Os Estados Unidos exigem que o Irão renuncie ao enriquecimento de urânio e afirmam que um acordo deve abranger também o programa iraniano de mísseis balísticos e o apoio de Teerão a grupos armados hostis a Israel.
Teerão afirma querer discutir apenas o programa nuclear.
Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram para o Médio Oriente um destacamento militar que poderá preparar ser usado para uma campanha de ataques contra o Irão.
O Irão informou na quinta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, que responderá a qualquer agressão militar e que considerará as bases e ativos de “forças hostis” na região como alvos legítimos.
