No X (antigo Twitter) surge o alerta com tom de alarme: “Irão acaba de anunciar que irá fazer ataques cibernéticos [ciberataques] a vários países europeus e Portugal entra na lista”. O tweet gerou dúvidas, mas houve também quem tivesse acreditado. Confirma-se? A SIC Verifica.
A escalada da guerra espoletada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e a consequente retaliação iraniana, tem preocupado o Ocidente e reacendido receios. Num ambiente de elevada tensão, começou a circular no X uma publicação que garante que o Irão terá anunciado ciberataques contra vários países europeus, incluindo Portugal.
“Irão acaba de anunciar que irá fazer ataques cibernéticos [ciberataques] a vários países europeus e Portugal entra na lista“, alega-se, num tweet acompanhado por uma imagem de um militar com uma bandeira portuguesa no ombro, além de uma bandeira do Irão.
A alegação rapidamente gerou comentários de dúvida e houve quem acreditasse na suposta ameaça. A partir daí, o debate começou sobre o impacto que um ciberataque iraniano teria em Portugal.
No entanto, esta informação não tem qualquer fundamento. O Irão não anunciou uma lista de potenciais alvos de ciberataques nem Portugal foi visado. O que existe é uma preocupação crescente de que Portugal possa estar na ‘mira’ do Irão.
O movimento cívico português Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança (CpC) é uma dessas vozes. O CpC considera que o país entrou no “mapa de risco”, ou seja, que pode ser afetado se houver uma escalada de ciberataques ligados à guerra.
“Embora ainda não existam confirmações de ataques contra organizações americanas ou europeias neste momento específico do conflito, é apenas uma questão de tempo para as vermos no nosso continente e, provavelmente, também em Portugal, aumentando a probabilidade à medida que as operações militares decorrem e se vão intensificando”, afirma o movimento, numa publicação feita no passado dia 8 de março.
O risco aumentado para Portugal deve-se, de acordo com a análise do movimento, ao facto de o Governo português ter defendido a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos, não se posicionando formalmente contra.
João Annes, do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, admite, em declarações à Euronews, que o Irão olhe para Portugal como inimigo, mas considera que “não é um inimigo prioritário do Irão”.
A Europol também admite que o risco de terrorismo, crime organizado e grave, bem como extremismo violento e ciberataques possa ter aumentado. À agência de notícias espanhola EFE, o porta-voz da Europol, Jan Op Gen Oorth, disse esperar um aumento nos ciberataques contra a infraestrutura europeia e um crescimento nas fraudes online, com recurso a Inteligência Artificial cada vez mais sofisticada.
A SIC Verifica que é…
A informação não tem fundamento, uma vez que o Irão não anunciou qualquer lista de potenciais alvos de ciberataques. Ainda assim, os receios de que Portugal possa estar em risco devido ao apoio governamental à utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos são reais. O movimento Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança considera que o país entrou no ‘mapa de risco’ e a Europol admite aumento do risco de ciberataques na Europa.
