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Itália pode proibir consumo de carne de cavalo com nova lei de proteção animal

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Projeto de lei define cavalos, burros e mulas como animais de estimação, prevê penas de prisão até três anos e multas até 100.000 euros para o abate de equinos.

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A Itália poderá em breve proibir a carne de cavalo para consumo humano, no âmbito de uma lei que definiria os equídeos, incluindo cavalos, burros e mulas, como animais de estimação, tornando ilegal o seu abate.

O projeto de lei foi elaborado por Michela Vittoria Brambilla, política do partido Noi Moderati, membro da coligação governamental de Giorgia Meloni, e conta com o apoio dos partidos da oposição.

Se for aprovado, o projeto prevê penas de prisão até três anos e multas até 100.000 euros para o abate de equinos.

O projeto de lei propõe ainda a obrigatoriedade da microchipagem e um sistema nacional de monitorização, bem como um fundo de 6 milhões de euros para ajudar os criadores a adaptarem os seus negócios.

A carne de cavalo tem feito tradicionalmente parte da cozinha italiana, especialmente na Puglia, Campânia, Sicília, Lombardia, Veneto e Emília-Romanha. Embora o consumo tenha diminuído significativamente na última década, a Itália continua a ser um dos maiores importadores e consumidores desta carne na Europa.

“Estamos no século XXI e, no entanto, os equídeos continuam a ser explorados de diversas formas”, disse Brambilla, que é também presidente da Leidaa, uma associação de defesa dos direitos dos animais. “Os cavalos, em particular… enquanto no mundo anglo-saxónico comer carne de cavalo é quase inconcebível, no nosso país a espécie é literalmente explorada até aos ossos. Mas os amigos não devem ser comidos”.

Brambilla afirmou que a proposta era “uma oportunidade extraordinária para promover uma mudança cultural que já é cara ao coração da maioria dos italianos”.

Nem todos estão convencidos

Gian Marco Centinaio, antigo ministro da Agricultura e político da Liga, partido de extrema-direita, e também membro da coligação governamental, disse que proibir o consumo de carne de cavalo “significaria apagar um pedaço da história da cozinha italiana”, que em dezembro foi inscrita na lista do património cultural imaterial da Unesco, “e também a identidade de algumas regiões… dos guisados ​​de carne de cavalo de Verona e Salento às almôndegas de Catânia”.

Dario Damiani, do Forza Italia, afirmou que a proposta não tem em conta “as tradições gastronómicas de muitas regiões” e seria um golpe para a “cadeia económica tradicional” dessas regiões, pondo em risco empresas e postos de trabalho.

A queda no consumo de carne de cavalo entre os italianos tem sido impulsionada por uma mudança cultural, bem como por crescentes preocupações éticas e empatia com os animais. Num inquérito realizado no ano passado, 83% dos italianos afirmaram não consumir carne de cavalo, enquanto 17% afirmaram consumi-la pelo menos uma vez por mês.



SIC Noticias

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