A controvérsia surge numa altura sensível para o ator, que está na corrida aos Óscares, e ganha um tom bizarro considerando que a sua mãe foi professora de ballet e a avó bailarina profissional.
Mike Blake // Reuters
A polémica instalou-se em Hollywood depois de Timothée Chalamet ter desvalorizado publicamente a relevância da ópera e do ballet, numa conversa que rapidamente gerou críticas no meio artístico.
Entre as vozes que reagiram está a atriz vencedora do Óscar Jamie Lee Curtis, que se juntou ao coro de contestação aos comentários do ator.
Durante uma conversa em vídeo com o ator Matthew McConaughey, gravada a 24 de fevereiro para a CNN/Variety, Chalamet afirmou que não tem interesse em trabalhar em projetos ligados ao ballet ou à ópera.
“Não quero trabalhar em ballet ou ópera, coisas que precisam das pessoas a dizer ‘ei, mantenham isso vivo’, mesmo que ninguém já se importe com isso“, disse, numa observação que gerou forte reação negativa.
Percebendo rapidamente o impacto das suas palavras, o ator de 30 anos tentou corrigir-se, garantindo ter “todo o respeito” pelos profissionais daquelas duas áreas. Ainda assim, admitiu em tom irónico que talvez tivesse acabado de perder parte do público.
Um coro de críticas
A discussão ganhou força nas redes sociais quando o bailarino e ator da Broadway Zach McNally publicou um vídeo a questionar por que motivo artistas criticariam outras formas de arte numa altura em que a inteligência artificial ameaça muitas indústrias criativas.
O vídeo foi amplamente partilhado, incluindo por Jamie Lee Curtis, que também divulgou excertos de espetáculos de companhias como a Ópera e Ballet Nacional de Amesterdão.
“Ninguém se veste de gala para ir ver Wonka“
O coreógrafo Amar Smalls publicou um vídeo em que compara a filmografia de Chalamet com as artes performativas que o ator criticou, defendendo que espetáculos de ópera e ballet representam “arte de alto nível”.
“Ninguém se veste de gala para ir ver Wonka“, comentou.
Nos comentários das publicações multiplicaram-se as reações de figuras do mundo cultural. Personalidades como Misty Copeland, Holland Taylor ou Eva Mendes manifestaram apoio às críticas, sublinhando a importância das artes performativas.
A controvérsia surge numa altura sensível para Timothée Chalamet, que está na corrida aos Óscares pela interpretação em Marty Supreme. No entanto, a disputa pelo prémio de melhor ator parece agora mais equilibrada, com Michael B. Jordan, protagonista de Sinners, a ganhar terreno nas previsões.
Um “passado bailarino”
Curiosamente, a polémica ganha um tom ainda mais inesperado tendo em conta a ligação familiar de Chalamet ao mundo da dança.
A mãe do ator, Nicole Flender, foi professora de ballet durante mais de duas décadas e a sua avó, Enid Flender, também foi bailarina profissional.
Já código de desconto para a ópera
Várias instituições culturais também reagiram, entre elas companhias como a Royal Opera House de Londres ou a Metropolitan Opera de Nova Iorque.
Já a Seattle Opera decidiu abordar a controvérsia com humor, lançando um código promocional com o nome ‘TIMOTHEE’ que oferece descontos para a ópera Carmen.
