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Joe Kent, veterano marcado pela guerra e pela perda da mulher, abandona Trump por causa do Irão


EUA

Num gesto inesperado que promete agitar os corredores do poder em Washington, Joe Kent, até agora diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, apresentou esta terça-feira a sua demissão, citando sérias reservas quanto à ofensiva militar do governo contra o Irão.

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Nomeado pelo presidente Donald Trump, Kent fez saber a decisão através de uma publicação nas redes sociais, sublinhando que não podia “em sã consciência” apoiar uma guerra que considera injustificada.

Na carta que acompanhou a sua publicação, Joe Kent criticou duramente a influência de Israel e do seu poderoso lobby sobre a administração americana, afirmando que o Irão não representava uma ameaça iminente para os Estados Unidos.

“Iniciámos esta guerra devido à pressão externa”, escreveu, evocando paralelos com a invasão do Iraque, um conflito que, na sua visão, custou milhares de vidas e não deveria repetir-se.

A saída de Kent, antigo apoiante declarado de Trump, marca a primeira deserção de alto nível no segundo mandato do presidente motivada por divergências políticas sobre a guerra.

Legisladores e analistas já levantavam dúvidas sobre a veracidade das informações usadas para justificar a ação militar, e a perda de um funcionário-chave dos serviços de informação promete intensificar o escrutínio sobre o governo.

Um passado marcado pela tragédia

Antes de assumir o cargo de diretor, Joe Kent acumulou duas décadas de serviço nas Forças Armadas, incluindo 11 missões de combate, e experiência na CIA.

A sua trajetória foi marcada por episódios pessoais trágicos: a sua primeira mulher, Shannon, morreu num atentado suicida na Síria em 2019, enquanto servia como criptologista da Marinha.

No entanto, a carreira de Kent também foi pontuada por polémicas.

Conhecido por apoiar teorias da conspiração de Donald Trump sobre as eleições de 2020, entrou em conflito com outros órgãos governamentais, incluindo o FBI, depois de tentar aceder a sistemas da agência para investigar um homicídio com suspeitas de envolvimento estrangeiro.

Além disso, as suas ligações passadas a figuras da extrema-direita, embora repudiadas, continuaram a ser alvo de críticas durante a sua audiência de confirmação no Senado.

Neste segundo mandato de Trump, a justificação para atacar o Irão oscilou entre proteger manifestantes locais, defender os Estados Unidos de uma ameaça nuclear e neutralizar um regime acusado de apoiar grupos terroristas.

Joe Kent, contudo, deixou claro que a narrativa que levou à guerra estava distorcida e alertou para os riscos de repetir erros do passado.



SIC Noticias

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