Em Lisboa, num hotel onde estavam hospedados militares da NATO, o jovem “apropriou-se de um computador e de um iPad” que pertenciam à NATO e à Marinha sueca. Terá ido depois até à embaixada da Rússia para tentar vendê-las.
Getty Images
Um jovem português de 23 anos está acusado de tentativa de espionagem por ter tentado vender à embaixada da Rússia, em Lisboa, informações roubadas de equipamentos informáticos de um militar da NATO.
O caso aconteceu no ano passado, quando o jovem soube que iria acontecer, na Escola da Base Naval de Lisboa, no Alfeite, a Conferência Inicial de Planeamento do maior exercício do mundo dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados.
O jovem de 23 anos decidiu ficar hospedado precisamente no mesmo hotel onde estavam os militares da NATO que participaram na conferência.
Nesse hotel, “apropriou-se de um computador e de um iPad” que pertenciam à NATO e à Marinha sueca e que estavam afetos a um militar da NATO.
“Convicto de que tinha matérias secretas e classificadas em seu poder, tentou aceder ao respetivo conteúdo e copiá-lo e pretendeu colaborar com a Federação Russa”, informa a PGR.
Já com as informações em sua posse, o jovem terá ido até à embaixada da Rússia, em Lisboa, para tentar vendê-las, mas não teve sucesso.
Durante a investigação, o arguido chegou a mostrar-se disponível para colaborar com as autoridades, dizendo que existia uma organização criminosa de espionagem e violação de segredo de justiça, de que fazia parte juntamente com outras 11 pessoas, que incluíam até um inspetor da Polícia Judiciária.
“No entanto, de acordo com os indícios probatórios reunidos no inquérito, essa versão factual não tinha qualquer correspondência com a realidade e não passou de um mero artifício usado pelo arguido com o objetivo de tirar o foco da investigação de si próprio”, esclareceu a PGR.
Além do crime de espionagem na forma tentada, o jovem de 23 anos foi acusado, no dia 12 de fevereiro, de três crimes de furto qualificado, dois crimes de uso de documento de identificação ou de viagem alheio, um crime de falsas declarações, um crime de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e onze de denúncia caluniosa.
O jovem está em prisão preventiva e foi sujeito a proibição de contactos e este processo tem ainda outros dois arguidos, que estão acusados de furto qualificado e sujeitos a termo de identidade e residência.
