“A Base das Lajes deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal. Não aceitamos que a Base das Lajes seja vista apenas como uma coordenada estratégica num mapa de defesa global”, afirmou o vice-presidente do executivo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).
Artur Lima falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, num debate de urgência solicitado pelo Chega sobre a “avaliação estratégica” da Base das Lajes, na ilha Terceira.
O número dois do Governo Regional lembrou que aquela base foi uma “peça fundamental em sucessivas negociações entre Portugal e os Estados Unidos”, o que revela que as administrações norte-americanas “sempre tiveram interesse” naquela infraestrutura.
“A cada uma dessas negociações, os Açores perderam contrapartidas justas e devidas, porventura não sentidas pela República Portuguesa, sendo inegável que os sucessivos Governos têm falhado, de forma sistemática, na defesa dos interesses dos Açores”, criticou.
O governante considerou uma “imprudência” rever o Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos no “atual contexto internacional”.
“Não pedimos favores, exigimos o respeito devido a quem, durante décadas, foi a sentinela da liberdade no Ocidente”, reforçou.
Artur Lima lembrou que a redução do contingente norte-americano na base (‘downsizing’) desde 2012 teve “consequências económicas, sociais e estratégicas profundas para a ilha” e criticou a atuação dos governos da República.
“As alianças sólidas não se constroem sobre o silêncio. Constroem-se sobre respeito estratégico, reciprocidade e equilíbrio entre parceiros”.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva de larga escala contra o Irão, à qual Teerão respondeu com ataques contra os alvos israelitas e bases norte-americanas em países da região e com o bloqueio do estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região.
A Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, mantém um movimento intenso de aeronaves norte-americanas, sobretudo de aviões reabastecedores, desde que Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão, na manhã de sábado.
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