Em frente à embaixada iraniana em Lisboa, mais de 40 iranianos concentraram-se, empunhando cartazes com o rosto do príncipe herdeiro do último xá do Irão Reza Pahlavi, bandeiras do Irão com o Leão e o Sol, a bandeira do país até 1979, altura em que começou o regime dos ayatollah, mas também dos Estados Unidos e de Israel.
“Nós estamos aqui para anunciar à embaixada, que ela pertence às pessoas, e eles [os representantes diplomáticos iranianos] não representam mais as pessoas, eles representam o grupo terrorista e o regime terrorista, lá no Irão, que se chama ‘República Terrorista Islâmica do Irão'”, disse Reihaneh Fadaei.
A estudante disse à Lusa que conseguiu falar esta manhã com a mãe, que está no Irão.
A mãe de Reihaneh contou que durante toda a noite, as pessoas celebraram pelas ruas e muitas festejaram mesmo a partir de casa, tendo em conta os apelos de Pahlavi para se manterem em segurança.
“Ainda era perigoso, e estavam a disparar contra as pessoas”, disse Reihaneh Fadaei, acrescentando que a mãe referiu que as pessoas começaram a “colocar música às janelas, mostraram a felicidade e celebraram toda a noite”.
Ao som de ‘rap’ iraniano, várias pessoas, incluindo crianças, cantavam em uníssono e faziam esvoaçar bandeiras.
“A nossa mensagem é clara: nós queremos a liberdade no Irão, nós queremos a mudança do regime, e o nosso líder, o rei Reza Pahlavi, está aqui para uma transição suave, para liderar o país durante este tempo”, adiantou a estudante, que defendeu a realização, posteriormente, de um referendo no país.
Em cartazes com o rosto do herdeiro do xá podia-se ler “Make Iran Great Again” (Façam o Irão grande de novo), enquanto noutros mostravam uma lista com rostos de pessoas “executadas pelo regime”.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
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