Portugal

Livermore rejeita as acusações: "Não é verdade". "Ventura é o meu ídolo"

Mafalda Livermore, suspeita de arrendar casas a imigrantes em condições indignas, afastou, esta terça-feira, as acusações: “Não é verdade”. No início deste mês, recorde-se, o programa “A Prova dos Factos”, da RTP, exibiu uma reportagem na qual dava conta desta questão, com a militante do Chega a negar, hoje, qualquer ilícito: “Tive algumas casas ao longo da minha vida, como qualquer ser humano, que já foram vendidas há muito tempo e que também não eram alugadas, eram casas onde eu vivia com a minha família”.

“Casas alugadas tenho uma”, afirmou em entrevista à CMTV e, questionada sobre se esta era arrendada a imigrantes, Livermore apontou que “algumas pessoas eram imigrantes, no entanto não eram ilegais”. As casas “claro” que também eram legais, vincou.

Perguntada sobre como surgiram então estas suspeitas, a militante do Chega salientou que “o que dizem é completamente diferente da verdade”. Trata-se, disse, de “uma reportagem que foi altamente montada e que não corresponde à realidade”, acrescentando que não respondeu às questões porque teve “conhecimento de que iria haver uma segunda reportagem: “Portanto, esperei para perceber exatamente qual é que seria a segunda montagem”. “As respostas à RTP foram dadas em momento certo”.

“Não fui exonerada. Pus o meu lugar à disposição”

Na mesma entrevista, Mafalda Livermore negou ainda ter sido exonerada da Câmara Municipal de Lisboa (CML). “Também não é verdade. Não fui exonerada. Pus o meu lugar à disposição antes desta reportagem, por respeito aos trabalhadores e ao meu bom-nome”.

E mais: “Ao contrário do que diz o engenheiro Carlos Moedas, ele até hoje não falou comigo. […] Fui chamada pelo vice-presidente Gonçalo Reis”, que “admitiu na totalidade que a minha competência e toda a minha performance nos Serviços Sociais foi intacta” e “super profissional”. 

“Ele disse que não era por isso que eu teria de repensar a minha posição era, simplesmente, pelo facto de que iria haver uma reportagem. Eu disse: ‘Vou pensar, porque me está a pedir, no entanto, não concordo'”, acrescentou na CMTV, revelando que há “um áudio” desta conversa.

Já sobre se há uma cabala ou uma perseguição contra si, Mafalda Livermore foi taxativa: “Completamente”. “Temos de ser realistas, o partido Chega está em constante perseguição – isto é, obviamente, uma situação política”. 

Salientou, contudo, não estar na entrevista para “falar do partido Chega”. “O presidente André Ventura é o meu ídolo, gosto muito dele, tenho uma boa relação com ele”, vincando que o líder “acredita em mim”.

“Isso não passa de uma reportagem, de uma situação mediática que foi encomendada”, reiterou. “Confrontei o vice-presidente Gonçalo Reis e ele não me pode desmentir, porque, felizmente, alguém fez esse áudio e mo fez chegar, em que eu lhe digo que ele sabe exatamente que o ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, e a doutora Rita Garcia Pereira, advogada e ex-namorada de Bruno Mascarenhas, ligaram para a CML quando fui nomeada para me exonerarem de imediato“. E acrescentou: “Isto é uma perseguição cerrada que não é de agora”.

“Não há aqui aluguer de casas ilegais, imigrantes ilegais. Isto é tudo uma notícia fabricada, porque sabem exatamente que é tudo o que o meu partido vai contra”.

“Não pratiquei qualquer ato de advogado, nunca me intitulei como advogada”

Quanto a outra acusação – a de ter prestado serviços jurídicos -, Livermore também a rejeitou: “Sou criminologista. Não há nada de ilícito, não pratiquei qualquer ato de advogado, nunca me intitulei como advogada e, portanto, não há provas disso“.

“Como criminologista posso, efetivamente, fazer uma perícia psicológica, posso fazer análises de risco, posso fazer uma investigação criminal ajudando qualquer órgão policial”, clarificou. 

Mas, o que está em causa?

Mafalda Guerra Livermore, militante do Chega, saiu da Câmara Municipal de Lisboa depois de ter sido noticiado que a funcionária autárquica arrendaria várias casas em condições indignas a dezenas de pessoas, nomeadamente, imigrantes.

A notícia de que esta mulher de 35 anos tinha um “império” de habitações clandestinas destinadas a imigrantes foi avançada pela RTP, numa investigação emitida no programa “A Prova dos Factos.” Na sequência da exibição da reportagem, a emissora avançou que Livermore tinha sido exonerada, depois de colocar o seu lugar à disposição ao vice-presidente da Câmara, Gonçalo Reis.

Explicou a emissora que o executivo municipal considerou haver “uma quebra de confiança institucional”, e a exoneração aconteceu de forma imediata.

Livermore ocupava o cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais – desde dezembro do ano passado. Agora, está a ser investigada pelo Ministério Público (MP) em dois inquéritos.

Mas, para além de estar a ser investigada pelo MP, foi também alvo de queixas na Ordem dos Advogados. De acordo com o que é explicado, em causa está a alegada prática dos crimes de usurpação de funções e de procuradoria ilícita. Isto porque, apresentando-se como criminologista especialista em casos de violência doméstica, Mafalda Guerra Livermore terá prestado aconselhamento jurídico sem ser advogada, lesando assim várias pessoas.

Matias pede demissão de Mascarenhas, Ventura diz que “partido atuou”

Recorde-se que a deputada Rita Matias pediu, no sábado, a demissão de Bruno Mascarenhas do cargo de vereador na Câmara Municipal de Lisboa (CML), após uma nomeação polémica que envolve “envergonhar” o Chega, partido do qual ambos fazem parte.

No seu espaço de comentário no canal Now, a deputada foi questionada sobre a tensão que está a decorrer no pelouro do Chega na autarquia lisboeta, depois da exoneração de Mafalda Livermore, também militante do Chega, que, após ser indicada por Bruno Mascarenhas para o Conselho de Administração dos Serviços Sociais foi nomeada pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas.

Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido Chega, demita-se de vereador – saia e passe o lugar. Espero que não fique como independente. Passe o lugar para ficar alguém que realmente represente o partido Chega e os seus interesses”, referiu no seu espaço de comentário semanal, acrescentando: “Não posso dourar a pílula. É um caso que envergonha o partido Chega. Lamento imenso que tenha acontecido e espero que tenha as devidas consequências.”

No domingo, foi a vez de André Ventura reagir. Em declarações aos jornalistas em Lisboa, o líder do Chega foi questionado sobre a situação e garantiu que o partido “não protege ninguém” e que, o partido atuou e está a fazer apuramento” da situação.

Ventura recordou ainda que a responsabilidade da nomeação pertence à autarquia: “Quem nomeou a Dra. Mafalda não foi Bruno Mascarenhas, foi Carlos Moedas.”

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