Num discurso que encerrou a missa de corpo presente de António Lobo Antunes, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que evocar o escritor falecido na quinta-feira, aos 83 anos, “é evocar a urgência de antecipar do futuro”, com essa urgência a ser diferente para cada um “dos inúmeros António Lobo Antunes” na literatura.
O chefe de Estado cessante destacou, entre outros, o “mestre da portugalidade […] não serôdia”, de “quem conhece a história e os seus triunfos e desastres, mas encontra sempre um fio condutor para dar sentido ao que valeu a pena e ao que não valeu assim tanto”.
“Para esse António Lobo Antunes, o futuro é estarmos aqui hoje, nos Jerónimos, com Camões, para agradecermos ao criador das palavras, ao romancista-cronista, ao confidente de cada qual, ao memorialista de uma história que é nova demais para envelhecer, ter sido o génio da sua redescoberta de Portugal, um símbolo mais da nossa identidade pátria”, afirmou.
Uma pátria, precisou Marcelo Rebelo de Sousa, “aberta, fraterna e universal, onde as caravelas são de um futuro a viver ainda mais do que de um passado a aprender”.
“Portugal pode ser diferente hoje, e melhor, e maior, porque teve um António Lobo Antunes que soube e sabia sonhar esse futuro. Soube e sabia anunciar a urgência de um antecipar. Portugal nunca o esquecerá”, concluiu.
A missa de corpo presente de António Lobo Antunes realizou-se entre as 12h00 e as 14h00 de hoje na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde está localizado o túmulo do escritor renascentista Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas.
O funeral seguiu depois para o cemitério de Benfica, também no concelho de Lisboa.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
A República Portuguesa condecorou o autor do “Memória de Elefante” com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
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