Cultura

Maior flotilha de sempre para Gaza parte de Barcelona no domingo


Conflito Israel-Hamas

Uma nova Flotilha Global Sumud, com pelo menos 70 barcos e mil pessoas, prevê partir no domingo de Barcelona, Espanha, rumo ao território palestiniano de Gaza, anunciou a organização.

Stefanos Rapanis

Pretende ser “a maior missão marítima em defesa da Palestina” da história, com os organizadores a sublinharem que apesar de a atenção internacional se ter desviado de Gaza, Israel mantém o bloqueio ao território, assim como ataques, que se intensificaram também na Cisjordânia.

“À medida que a atenção mundial se deslocou para o conflito regional mais alargado, o regime israelita intensificou a sua agenda genocida, reforçando o cerco, restringindo a ajuda humanitária, expandindo os colonatos, acelerando a apropriação de terras, implementando uma lei de pena de morte de ‘apartheid’ que se aplica exclusivamente aos palestinianos e ocultando os seus crimes de guerra no meio do caos”, defendeu a Flotilha Global Sumud, num comunicado divulgado na quarta-feira.

Para a organização, “cada barco, cada delegação, cada momento de ação cívica internacional pode ajudar a devolver a Palestina ao centro da atenção global”.

A nova Flotilha Global Sumud deve sair no domingo de Barcelona com cerca de 70 barcos, mais 20 do que a anterior, a que partiu em outubro passado da mesma cidade e acabou intercetada pela marinha israelita, sem que nenhuma embarcação tenha conseguido aproximar-se de Gaza.

Na Flotilha Global Sumud seguiam quatro portugueses, além de políticos e outros ativistas como a sueca Greta Thunberg. A operação de Israel foi denunciada como ilegal pelos organizadores, pela Amnistia Internacional e vários governos, como o espanhol.

Perto de cinco centenas de ativistas foram então detidos, antes de serem deportados para os respetivos países.

Desta vez, para prestar apoio técnico e logístico às embarcações da flotilha, sairão também de Barcelona os barcos “Arctic Sunrise”, da organização não-governamental (ONG) Greenpeace, e “Open Arms”, da ONG espanhola com o mesmo nome, conhecida por, entre outras iniciativas, resgatar migrantes no Mediterrâneo.

Mais de mil pessoas a bordo, incluindo portugueses

Aos 70 barcos que sairão de Barcelona poderão juntar-se outros, noutros portos, disse a organização.

Sairão de Barcelona mais de mil pessoas a bordo das diversas embarcações, oriundas de mais de 70 países, incluindo Portugal.

“A estratégia e o objetivo da flotilha são claros: desafiar o bloqueio ilegal imposto por Israel a Gaza, entregar ajuda humanitária e confrontar o genocídio em curso contra o povo palestiniano e a cumplicidade que o torna possível”, disse a organização da Flotilha Global Sumud, no mesmo comunicado.

A iniciativa tem quatro reivindicações, a primeira das quais a abertura de um corredor permanente por mar e outro por terra de acesso a Gaza que garantas a passagem segura de ajuda humanitária, pessoal médico e materiais de reconstrução.

A Flotilha Global Sumud pede ainda “o embargo imediato de armas” a Israel e que a reconstrução e o governo de Gaza sejam liderados pelos palestinianos, a par do levantamento do bloqueio e da garantia do direito de regresso para todos os palestinianos.

Os promotores da flotilha realçaram que esta semana, enquanto alguns países “intercambiavam anúncios de cessar-fogo” no Médio Oriente, continuou “o assalto a Gaza e a ofensiva terrestre no Líbano” por parte de Israel, “sublinhando como pouco mudou para os civis sob fogo e o quanto urgente é agir”.

“Não zarpamos apesar da guerra, das escaladas, das ameaças e dos cessar-fogos frágeis e desrespeitados, mas precisamente por causa deles”, sublinharam.

A organização garantiu que “cada movimento” da flotilha “foi cuidadosamente planeado para responder às crescentes ameaçadas à segurança e um cenário regional que muda rapidamente”.

A Faixa de Gaza, governada pelo grupo radical Hamas, está sob bloqueio israelita desde 2007.

Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violarem o cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro de 2025, após dois anos de guerra.

As acusações de genocídio cometido por Israel contra palestinianos na Faixa de Gaza multiplicaram-se, mas Telavive rejeita-as.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *