Uma bolsa criada a partir de colagénio produzido em laboratório, derivado de fósseis de Tyrannosaurus rex, foi apresentada em Amesterdão como alternativa ao couro tradicional. O projeto pretende demonstrar o potencial de materiais cultivados em laboratório, mas está a gerar dúvidas entre cientistas sobre a legitimidade da designação “couro de T. rex”.
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Cientistas e designers apresentaram uma mala produzida com colagénio obtido a partir de fósseis de Tyrannosaurus rex, num projeto que pretende demonstrar o potencial do couro cultivado em laboratório.
A peça foi desenvolvida pela empresa Lab-Grown Leather Ltd., com sede em Newcastle-upon-Tyne, e transformada numa mala pela marca Enfin Leve.
Segundo Emily Telford, cientista principal da empresa, trata-se de “uma mala de mão em pele de T. rex cultivada em laboratório”, posteriormente curtida e trabalhada para uso comercial.
Como foi produzido o material
De acordo com a equipa, o material resulta da utilização de fragmentos de proteínas antigas extraídas de fósseis de dinossauros. Esses fragmentos foram inseridos numa célula de um animal não identificado para produzir colagénio em laboratório.
Esse colagénio foi depois transformado num material semelhante ao couro.
Che Connon, cientista envolvido no projeto, defende que esta abordagem pode oferecer vantagens face a alternativas sintéticas:
“Um dos desafios dos couros sintéticos é a forte dependência de plásticos. O material que apresentamos não contém plásticos nem acabamentos desse tipo e mostra que é possível obter um couro esteticamente interessante e utilizável sem recorrer a esses componentes.”
Ceticismo na comunidade científica
Apesar do impacto mediático, vários especialistas questionam a designação “couro de T. rex”.
A paleontóloga Melanie During, da Universidade Livre de Amesterdão, explicou à Reuters que o colagénio pode persistir nos ossos dos dinossauros, mas apenas fragmentos e já muito degradados:
“Esses vestígios não são suficientes para recriar a pele ou o couro de um T. rex.”
Também Thomas R. Holtz Jr., paleontólogo da Universidade de Maryland, sublinhou que o colagénio identificado em fósseis provém do interior dos ossos, e não da pele. Acrescenta ainda que, mesmo que as proteínas fossem compatíveis, faltaria a organização estrutural das fibras que confere ao couro animal as suas propriedades.
Exposição e leilão
A mala, de cor azul-turquesa, está exposta no museu Art Zoo, em Amesterdão, colocada sobre uma rocha e sob uma réplica de um T. rex. A exposição decorre até 11 de maio.
Depois disso, a peça será leiloada, com uma base de licitação de meio milhão de dólares.
